"O Espectro Anda um triste fantasma atrás de mim Segue-me os passos sempre! Aonde eu for, Lá vai comigo…E é sempre, sempre assim Como um fiel cão seguindo o seu Senhor! Tem o verde dos sonhos transcendentes, A ternura bem roxa das verbenas, A ironia purpúrea dos poentes, E tem também a cor das minhas penas! Ri sempre quando eu choro, e se me deito, Lá vai ele deitar-se ao pé do leito, Embora eu lhe suplique:Faz-me a graça De me deixares uma hora ser feliz! Deixa-me em paz!…” Mas ele, sempre diz: “Não te posso deixar, sou a Desgraça!”"
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Ver todas"Saudades Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!"
"Realidade Em ti o meu olhar fez-se alvorada E a minha voz fez-se gorgeio de ninho... E a minha rubra boca apaixonada Teve a frescura pálida do linho... Embriagou-me o teu beijo como um vinho Fulvo de Espanha, em taça cinzelada... E a minha cabeleireira desatada Pôs a teus pés a sombra dum caminho... Minhas pálpebras são cor de verbena, Eu tenho os olhos garços, sou morena, E para te encontrar foi que eu nasci... Tens sido vida fora o meu desejo E agora, que te falo, que te vejo, Não sei se te encontrei... se te perdi..."
"(…) Quero voltar! Não sei por onde vim… Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra Por entre tanta sombra igual a mim!"
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