"O caminho da prece está florido. As rosas da harmonia desabrocham olorosas! Subi comigo, espaço em fora... Que luz dulcificante! Divisai o reino da alegria, Onde uma eterna aurora Embala os seres e embala os roserais Que florescem para a luz Vinde! Existem nas alturas, Regiões de paz, remansos de ventura Que sonhais jamais!... Deus em pôs em cada canto Uma pérola divina Da sua luz. Tesouro sacrossanto, Patrimônio de todos seus filhos Por aqui não há dores, não há prantos!... Eis que nos abraçamos... Filhos que esperamos E mães que nos esperam... Noivos idolatrado, Afetos aguardados. Com excelsas esperanças... Eis que agora a saudade É uma recordação fugidia, Um misto de amargura, De ventura e alegria. Subi comigo! Aqui há pássaros trinando Por sobre fronde luminosas, Entre as almas fraternas... Ó paragens eternas! Onde a luz nunca morre em seus cambiantes, Os quais a todo o instante Se intensificam, se esmaecem, Entre cores e sons que não se esquecem. Atravessai a noite de amarguras Pelas portas da dor, E recordai que nas alturas Vos esperam as luzes da alegria E os prazeres do amor."
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Ver todas"Três Lindos Casos: 1. TENHA PACIÊNCIA, MEU FILHO Quando Dona Maria João do Deus desencarnou, em 29 de setembro do 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita do Cássia, velha amiga e madrinha da criança. Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça. Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de vara de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara êsse estranho processo do torturar. O garôto chorava muito, permanecendo, horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar-se, porque a madrinha repetia, nervosa: - Êste menino tem a diabo no corpo. Um dia, lembrou-se a criança de que sua Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu nôvo lar. Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais. Quando terminou, oh! maravilha! Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado. Chico, que ainda não lidara con as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte. Abraçou-a, feliz; e gritou: - Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora... - Não posso, - disse a entidade, triste. - Estou apanhando muito, mamãe! Dona Maria acariciou-o e explicou: - Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar. - Mas, - tornou a criança - minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo... - Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos. Em seguida, desapareceu. O pequeno, aflito, chamou-a em vão. Desde desse dia, no entanto, passou a receber o contacto de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas. - Chico é tão cínico - dizia Dona Rita, exasperada, que não chora, nem mesmo a pescoção. Porque a criança explicasse ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um "menino aluado". E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filêtes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal!, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velha árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração. Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos. 2. O VALOR DA ORAÇÃO A madrinha do Chico, por vêzes, passava tempos entregue a obsessão. Assim é que, nessas fases, e exasperação dela era mais forte. Em algumas ocasiões, por isso, condenava o menino a vários dias de fome. Certa feita, já fazia três dias que a criança permanecia em completo jejum. À tarde, na hora da prece, encontrou a mãezinha desencarnada que lhe perguntou o motivo da tristeza com a qual se apresentava. - Então, a senhora não sabe, - explicou o Chico - tenho passado muita fome... - Ora, você está reclamando muito, meu filho! - disse Dona Maria João de Deus - menino guloso tem sempre indigestão. - Mas hoje bem que eu queria comer alguma coisa... A mãezinha abraçou-o e recomendou: - Continue no oração e espere um pouco. O menino ficou repetindo as palavras do Pai Nosso e daí a instantes um grande cão da rua penetrou o quintal. Aproximou-se dêle e deixou cair da bocarra um objeto escuro. Era um jatobá saboroso... Chico recolheu, alegre, o pesado fruto, ao mesmo tempo que reviu a mãezinha no seu lado, acrescentando. - Misture o jatobá com água e você terá um bom alimento. E, despedindo-se da criança, acentuou: - Como você observa, meu fiiho, quando oramos com fé viva até um cão pode nos ajudar, em nome do Jesus. 3. O ANJO BOM Dois anos do surras incessantes. Dois anos vivera o Chico junto da madrinha. Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou: - Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui? o Espírito carinhoso afagou-o e perguntou: Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece a vontade de Deus... - Mas a senhora sabe que nos faz muita falta... A Mãezinha consolou-o e explicou: - Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos. E sempre que revia a progenitora, o menino indagava: - Mamãe, quando é que a anjo chegará? - Espere, meu filho! - era a resposta de sempre. Decorridos dois meses, a Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias. E Dona Cidália Batista, a segunda espôsa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas. Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico. Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos... Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura a perguntou: - Meu Deus, onde estava êste menino com a barriga deste jeito? Chico, encorajado com a carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido. A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou: - Você sabe quem sou, meu filho? - Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou... E, desde então, entre as dois, brilhou a amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até a morte."
"Poesia do Além Sombra e Luz Vem a noite, volta o dia, Cresce o broto, nasce a flor, Vai a dor, surge a alegria Dourando a manhã do Amor. Assim, depois da amargura Que a vida terrena traz, A alma encontra na Altura A luz, a ventura e a paz."
"EM SILÊNCIO Se sabes, atende ao que ignora, sem ofuscá-lo com a tua luz. Se tens,ajuda ao necessitado, sem molestá-lo com tua posse. Se amas, não tiras o objeto amado com exigências. Se pretendes curar, não humilhes o doente. se queres melhorar os outros, não maldigas ninguém. Se ensinas a caridade, não te trajes de espinhos, para que teu contato não dilaceres os que sofrem. Tem cuidado na tarefa que o Senhor te confiou. É muito fácil servir à vista. Todos querem fazê-lo, procurando o apreço dos homens. Difícil porém, é servir às ocultas, sem o ilusório manto da vaidade. É por isto que, em todos os tempos, quase todo o trabalho das criaturas é dispersivo e enganoso. Em geral, cuida-se de obter a qualquer preço as gratificações e as honras humanas. Tu, porém, meu amigo, aprende que o servidor sincero do Cristo fala pouco e constrói, cada vez mais, com o Senhor, no divino silêncio do espírito... Vai e serve. Não te dêem cuidado as fantasias que confundem os olhos da carne e nem te consagres aos ruídos da boca. Faze o bem, em silêncio. Foge às referências pessoais e aprendamos a cumprir, de coração, a vontade de Deus."
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