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"O sobressalto das quatro pernas. "As cadeiras vão esvaziando-se, e sendo esvaziadas. A sua cadeira permanece lá, até o fim, até a exaustão. Mas lá ela fica, com o rastro de uma presença, tecendo ilusões. A cadeira não está vazia, porque o vazio não é nada. O vazio não nos faz sentir alguma coisa, porque não existe nada para sentir. Não, o vazio seria ótimo, traria a paz. Mas é algo pior, entre a presença e a ausência, há a insignificância. O que torna a espera mil vezes mais perturbadora. Enlouquece, desvanece, esmorece. Não há nada mais absurdamente doloroso do que uma falsa chegada, um ensaio da felicidade. E no meio dessa sinestesia apropriada, a cadeira continua lá. Como um fantasma, para perseguir, cutucar, te provocar. Seria mais fácil não observá-la ali, parada e estática, como se em um passe de mágica fosse ser ocupada. Mas não, essa cadeira não será utilizada, não hoje, talvez amanhã... Quem sabe?""

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