"A Vida É vão o amor, o ódio, ou o desdém; Inútil o desejo e o sentimento... Lançar um grande amor aos pés de alguém O mesmo é que lançar flores ao vento! Todos somos no mundo" Pedro Sem", Uma alegria é feita dum tormento, Um riso é sempre o eco dum lamento, Sabe-se lá um beijo de onde vem! A mais nobre ilusão morre... desfaz-se... Uma saudade morta em nós renasce Que no mesmo momento é já perdida... Amar-te a vida inteira eu não podia. A gente esquece sempre o bem de um dia. Que queres, meu Amor, se é isto a vida!"
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Ver todas"Desejos vãos Eu queria ser o Mar de altivo porte Que ri e canta, a vastidão imensa! Eu queria ser a Pedra que não pensa, A pedra do caminho, rude e forte! Eu queria ser o sol, a luz intensa O bem do que é humilde e não tem sorte! Eu queria ser a árvore tosca e densa Que ri do mundo vão é ate da morte! Mas o mar também chora de tristeza... As árvores também, como quem reza, Abrem, aos céus, os braços, como um crente! E o sol altivo e forte, ao fim de um dia, Tem lágrimas de sangue na agonia! E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!... Florbela Espanca - Fanatismo Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não es sequer razão do meu viver, Pois que tu es já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo , meu Amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma história tantas vezes lida! "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, digo de rastros: "Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu es como Deus: Princípio e Fim!...""
"A Vida e a Morte O que é a vida e a morte Aquela infernal inimiga A vida é o sorriso E a morte da vida a guarida. A morte tem os desgostos A vida tem os felizes A cova tem as tristezas A vida tem as raízes A vida e a morte são O sorriso lisonjeiro E o amor tem o navio E o navio o marinheiro"
"Triste Passeio Vou pela estrada, sozinha. Não me acompanha ninguém. Num atalho, em voz mansinha: "Como está ele? Está bem?" É a toutinegra curiosa; Há em mim um doce enleio... Nisto pergunta uma rosa: "Então ele? Inda não veio?" Sinto-me triste, doente... E nem me deixam esquecê-lo!... Nisto o sol impertinente: "Sou um fio do seu cabelo..." Ainda bem. É noitinha. Enfim já posso pensar! Ai, já me deixam sozinha! De repente, oiço o luar: "Que imensa mágoa me invade, Que dor o meu peito sente! Tenho uma enorme saudade De ver o teu doce ausente!" Volto a casa. Que tristeza! Inda é maior minha dor... Vem depresa. A natureza Só fala de ti, amor!"
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