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"Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói?."

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"Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo."

"OS GAÚCHOS Piada de Português e de Gaúcho... Todo mundo sabe que os sujeitos mais comuns nas piadas contadas por todo o Brasil ou são portugueses ou são gaúchos. Mas poucos sabem o porquê! As origens estão na nossa história e na psicologia humana. Vamos começar pelos portugueses! Eles são estereotipados como completos idiotas. Os portugueses colonizaram o Brasil por mais de 300 anos. Eles chegaram no Brasil, levaram todas as nossas riquezas, ignoraram os nossos interesses, e, ainda por cima comiam as nossas índias nativas e as negras trazidas para cá. Que imagem nós poderíamos criar deles? O que poderíamos falar deles hoje em dia? Será que poderíamos dizer: - Oh! Eles descobriram o Brasil. Eles são nossos heróis! Claro, que não! Depois de tudo que eles fizeram, só podem ser 'heróis' nas nossas piadas. Nos resta chamá-los de tontos e estúpidos. Mas de idiotas eles não tem nada. Por um grande período da história, o império Português foi tão forte quanto fora o Império Romano e o quanto é atualmente o Império Americano... E os gaúchos...? Assim como os portugueses, os gaúchos colonizaram o Brasil. O povo gaúcho tem tradição e história. Os gaúchos são guerreiros, formaram a sua própria República! Encabeçaram uma revolução que acabou com a Republica Velha do café com leite e introduziu o Estado Novo. A maior parte dos presidentes e ditadores brasileiros foram gaúchos. O povo gaúcho é o mais politizado e o seu Estado o de melhor qualidade de vida. Em todos estados brasileiros existem gaúchos bem sucedidos. Alem de colonizar e desenvolver todos os estados por onde passam, os gaúchos traçam as mulheres que ali habitam. Os gaúchos põem chifre nos 'machos' locais e deixam as suas mulheres apaixonadas. As cariocas, catarinenses, paranaenses, paulistas, mineiras, cearenses, adoram um gaúcho... e, o que resta para eles (os cariocas, catarinenses, paranaenses, paulistas e mineiros...)? Além de manter lustrado o par de chifres, resta a eles inventarem piadas de gaúcho, onde os gaúchos são estereotipados como veados, para seu deleite e prazer. Portanto gauchada, tenham um pouco de piedade, esta é a única alegria dos não gaúchos. Enquanto eles se divertem em alguma roda inventando e contando piadas de gaúcho, as suas mães, irmãs ou namoradas se divertem com um gaúcho. Gaúchos de todo o Brasil, convençam-se de uma coisa, eles não sabem como fazer uma mulher feliz, mas tem bastante criatividade para fazer piada. Divirtam-se então com as piadas e satisfaçam as mulheres dos não gaúchos invejosos. O RIO GRANDE DO SUL NÃO É UM ESTADO, É UM PAÍS!"

"O AMOR DEIXA MUITO A DESEJAR A Rita Lee fez uma música com a letra tirada de um artigo que escrevi, sobre amor e sexo. A música é linda, estou emocionado, não mereço tão subida honra, quem sou eu, quase enxuguei uma furtiva lágrima com minha "gélida manina" por estar num disco, girando na vitrola sem parar com Rita, aquela hippie florida com consciência crítica, aquela hippie paródica, aquela mulher divinamente dividida, de noiva mutante ou de cartola e cabelo vermelho que, em 67, acabou com a caretice de Sampa e de suas lindas "minas" pálidas. A música veio mesmo a calhar, pois ando com uma fome de arte, ando com saudade da beleza, ando com saudade de tudo, saudade de alguma delicadeza, paz, pois já não agüento mais ser apenas uma esponja absorvendo e comentando os bodes pretos que os políticos produzem no Brasil e o Bush lá fora. Ando meio desesperançado, mas essa canção de Rita trouxe de volta a minha mais antiga lembrança de amor. Isso mesmo: a canção me trouxe uma cena que, há mais de 50 anos, me volta sempre. Sempre achei que esse primeiro momento foi tão tênue, tão fugaz que não merecia narração. Mas, vou tentar. Eu devia ter uns 6 anos, no máximo. Foi meu primeiro dia de aula no colégio, lá no Meier, onde minha mãe me levou, pela Rua 24 de Maio, coberta de folhas de mangueira que o vento derrubava. Fiquei sozinho, desamparado, sem pai nem mãe no colégio desconhecido. No pátio do recreio, crianças corriam. Uma bola de borracha voou em minha direção e bateu em meu peito. Olhei e vi uma menina morena, de tranças, com olhos negros, bem perto, me pedindo a bola e, nesse segundo, eu me apaixonei. Lembro-me de que seu queixo tinha um pequeno machucado, como um arranhão com mercúrio-cromo, lembro-me que ela tinha um nariz arrebitado, insolente e que, num lampejo, eu senti um tremor desconhecido, logo interrompido pelo jogo, pela bola que eu devolvi, pelos gritos e correria do recreio. Ela deve ter me olhado no fundo dos olhos por uns três segundos mas, até hoje, eu me lembro exatamente de sua expressão afogueada e vi que ela sentira também algum sinal no corpo, alguma informação do seu destino sexual de fêmea, alguma manifestação da matéria, alguma mensagem do DNA. Recordando minha impressão de menino, tenho certeza de que nossos olhos viram a mesma coisa, um no outro. Senti que eu fazia parte de um magnetismo da natureza que me envolvia, que envolvia a menina, que alguma coisa vibrava entre nós e senti que eu tinha um destino ligado àquele tipo de ser, gente que usava trança, que ria com dentes brancos e lábios vermelhos, que era diferente de mim e entendi vagamente que, sem aquela diferença, eu não me completaria. Ela voltou correndo para o jogo, vi suas pernas correndo e ela se virando com uma última olhada. Misteriosamente, nunca mais a encontrei naquela escola. Lembro-me que me lembrei dela quando vi aquele filme Love Story, não pelo medíocre filme, mas pelo rosto de Ali McGraw, que era exatamente o rosto que vivia na minha memória. Recordo também, com estranheza, que meu sentimento infantil foi de "impossibilidade"; aquele rosto me pareceu maravilhoso e impossível de ser atingido inteiramente, foi um instante mágico ao mesmo tempo de descoberta e de perda. Escrevendo agora, percebo que aquela sensação de profundo "sentido" que tive aos 6 anos pode ter marcado minha maneira de ser e de amar pelos tempos que viriam. Senti a presença de algo belíssimo e inapreensível que, hoje, velho de guerra, arrisco dizer que talvez seja essa a marca do amor: ser impossível. Calma, pessoal, claro que o amor existe, nem eu sou um masoquista de livro, mas a marca do sublime, o momento em que o impossível parece possível, quando o impalpável fica compreensível, esse instante se repetiu no futuro por minha vida, levando-me para um trem-fantasma de alegrias e dores. Amar é parecido com sofrer - Luís Melodia escreveu, não foi? Machado de Assis toca nisso na súbita consciência do amor entre Bentinho e Capitu: "Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca." Isso: felicidade e medo, a sensação de tocar por instantes um mistério sempre movente, como um fotograma que pára por um instante e logo se move na continuação do filme. Sempre senti isso em cada visão de mulheres que amei: um rosto se erguendo da areia da praia, uma mulher fingindo não me ver, mas vendo-me de costas num escritório do Rio... São momentos em que a "máquina da vida" parece se explicar, como se fosse uma lembrança do futuro, como se eu me lembrasse ali, do que iria viver. Esses frêmitos de amor acontecem quando o "eu" cessa, por brevíssimos instantes, e deixamos o outro ser o que é em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de "compaixão" pelo nosso próprio desamparo, entrevisto no outro. A cultura americana está criando um "desencantamento" insuportável na vida social. Vejam a arte tratada como algo desnecessário, sem lugar, vejam as mulheres nuas amontoadas na internet. Andamos com fome de beleza em tudo, na vida, na política, no sexo; por isso, o amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver. Todas essas tênues considerações, essas lembranças de lembranças, essa tentativa de capturar lampejos tão antigos, com risco de ser piegas, tudo isso me veio à cabeça pela emoção de me ver subitamente numa música, parceiro de Rita Lee, "lovely Rita", a mais completa tradução de São Paulo, essa cidade cheia de famintos de amor."

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