"No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E pois. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos — O verbo tem que pegar delírio."
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Ver todas"Experimentando a manhã dos galos ... poesias, a poesia é - é como a boca dos ventos na harpa nuvem a comer na árvore vazia que desfolha a noite raíz entrando em orvalhos... os silêncios sem poro floresta que oculta quem aparece como quem fala desaparece na boca cigarra que estoura o crepúsculo que a contém o beijo dos rios aberto nos campos espalmando em álacres os pássaros - e é livre como um rumo nem desconfiado..."
"Pois minha imaginação não tem estrada. E eu não gosto mesmo da estrada. Gosto do desvio e do desver."
"Aonde eu não estou as palavras me acham."
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