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""Nunca soube o que fazer com os espaços que ficam depois que alguém vai embora uma dúvida insiste e de tanto, o meu tentar desiste de trocar a ausência por qualquer coisa que fira menos: nada para repor nada para suprir nada que realmente comportasse o encanto de algo que ficou para trás." -☆-"

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"Não há mais nada para acontecer Nada que não seja previsto Nada que possa surpreender Não espanta flores nascendo nas calçadas Não apavora estrelas novas sendo penduradas Nem o corpo vencendo a física Nem o cego lendo mímica Nem a ciência na sua vã experiência e sua cara de reticências nas coisas que o amor pode fazer... O mais impossível era esse encontro Entre tantos desencontros, Entre tudo que não tinha nada a ver, Só tinha que ser você para ser inesperado E agora que venha o que vier Porque de resto nada além, Agora o que vem já é esperado"

"Ando na fase dos nãos. Talvez eu não quisesse passar por isso, mas ainda não encontrei um atalho, um desvio qualquer que fosse, desse tal destino que nos é entregado sem qualquer opção de escolha. Odeio o destino, odeio não ter controle, odeio não poder escolher os dias sem compromisso, os encontros que poderiam esperar pelo momento certo. Acredito que Deus tenha feito um ótimo trabalho com o mundo, mas e eu? E o mundo com milhões de “eus” e “outros” que carrego dentro do corpo? E os dias em que chove e meu pneu fura a mais de 50km de casa? E os domingos tão pacatos em que não saio e nem ao menos consigo escrever? E os compromissos em que me atraso porque não consegui decidir por uma roupa? Eu penso sobre inúmeras coisas. Penso se da mesma forma que eu olho o céu procurando Deus, será que alguma vez Ele olhou para baixo me procurando? Será que Deus orou para seu Deus por mim? Que fé Deus tem em nós? Por que essa dolorosa fase dos nãos? Do meu não-sentir, não-pedir, não-ir, não-falar, não-acreditar, não-seguir, não-responder, não-suplicar. Não arrisco, porque eu não tenho mais nenhuma crença. Não duvido, porque até o perigoso pensar das dúvidas me incomoda. Não olhar, não retribuir um olhar que me fita com alguma esperança. Não ser recíproca, porque eu tenho tão pouca coisa para dar, para partilhar, embora que o outro tenha tanta miséria também, mas ter um monte de nãos na boca, nos gestos, no falar, não é ainda mais miserável do que qualquer outra coisa? Não ir, não estar pronta para os novos amores e amigos. Não cogitar uma mudança. Não dar a possibilidade de chegarem muito perto. Não dormir, ter medo do escuro. Não acordar, ter receio da luz que pode mostrar as marcas da minha face. Não responder, dizer uma besteira que me faça ainda menor, ainda mais negativa. Não mexer, não limpar, não se desfazer das cinzas que transbordam o cinzeiro, da poeira que se agarra com as unhas nos quadros da sala, da maresia que deixa o vidro da janela encoberto, das frutas que amanhecem por dias seguidos sobre a bacia na mesa, das manchas de café na camisola ou no chão do escritório. Não dizer não ao não. Me acomodar a essa vontade do não mudar, do não orar por qualquer salvação."

"É muito certo que virá um riso espontâneo se o pensamento der espaço a memória ou se o livro abrir na poesia grifada. Guardamos vestígios para que nunca, em hipótese alguma, possamos esquecer... Embora as tentativas sejam inúmeras, voltamos a tempo de que ela não se apague, não se perca, não se transfira para o jamais... Voltar faz o futuro mais seguro. Não fecho o coração para o passado, Abro as portas e as janelas: Eu saberei aonde me encontrar."

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