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"Ir ou não ir? E claro que eu fui. Fui e me arrependi. Não por ter ido, por não ter continuado. Esqueci como ele era lindo, esqueci o charme e o quanto queria continuar. A vontade de esquecer aquele cabelo arrepiado e o sorriso encantador o tornaram horrivelmente assustador em minha mente. Não posso negar, senti falta dele nesses últimos tempos. Lembrei de tudo que eu fiz um grande esforço para esquecer. E em uma noite eu disse sim por todas as vezes que eu disse não. Odeio o fato dele ser forte, bem resolvido, educado, gentil, bem humorado e abrir a porta do carro. Odeio ter que odiar cada milímetro que compõe aquela obra de arte tão bem desenhada por Deus pelo simples fato de não saber como lidar com a distância que nos separa. Odeio falar sobre minhas neuroses e ele responder tudo com um sorriso. Como descrevê-lo? Você o reconheceria se o visse. É aquele cara que te faz querer ser dele, sem nem desconfiar que você já é. Aquele que você não quer ter por perto por medo de perder e se perder. Aquele que te faz sentir calafrios com um só olhar. Ele é o cara errado totalmente certo para a ocasião. Estávamos juntos e as flores de plástico na sala respiravam por mim enquanto ele me olhava e consequentemente me tirava o ar. Todos os quadros pendurados ali não eram bons o suficiente para ofuscar tamanha beleza. Saber adorar essas qualidades sem o amar, sem ter nenhuma necessidade e todo aquele sentimentalismo bobo é absurdamente assustador e ao mesmo tempo terrivelmente tentador. Aquele lance que você sabe que, bem no fundo, é mais carnal que qualquer outra coisa. E é bom ter uma pessoa por perto que não romantize tudo, que não queira te ter para sempre e te deixe sempre pela metade no final de tudo. Incompleta, vazia. É bom aproveitar um sorriso em uma noite e deixá-lo em uma estante no fundo da memória para não correr o risco de se apegar demais a ele. Deixá-lo livre e ser de outra pessoa para não perder noites de sono com um ciúme absurdo. Deixá-lo, somente."

"Você pode até amar uma pessoa. Mas nunca precise dela."

"Não sei o que ele tinha, não sei se era o sorriso que iluminava tudo ou se era o jeito com que me tratava. Como se eu fosse linda do jeito que era, quando na verdade todos sabiam que eu era só mais um desastre em forma de mulher. Atraente, sim. Confusa, cheia de problemas e perturbada? Com certeza. Mas isso não era um problema pra ele, e eu não entendia. Não mesmo. Eu apavorava qualquer homem que permanecesse mais que cinco minutos comigo, mas ele não."

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