"No pequeno museu sentimental No pequeno museu sentimental os fios de cabelo religados por laços mínimos de fita são tudo que dos montes hoje resta, visitados por mim, montes de Vênus. Apalpo, acaricio a flora negra, a negra continua, nesse branco total do tempo extinto em que eu, pastor felante, apascentava caracóis perfumados, anéis negros, cobrinhas passionais, junto do espelho que com elas rimava, num clarão. Os movimentos vivos no pretérito enroscam-se nos fios que me falam de perdidos arquejos renascentes em beijos que da boca deslizavam para o abismo de flores e resinas. Vou beijando a memória desses beijos."
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Ver todas"O Homem Escrito Ainda está vivo ou virou peça de arquivo sua vida é papel a fingir de jornal? Dele faz-se bom uso seu texto é confuso? Numa velha gaveta o esquecem, a caneta? Após tantos escapes arredonda-se em lápis? Essa indelével tinta é para que não minta mas do que o necessário é uma sigla no armário? Recobre-se de letras ou são apenas tretas? Entrará em catálogo a custa de monólogo? Terá número, barra e borra de carimbo? Afinal, ele é gente ou registro pungente?"
"Se eu gosto de poesia? Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo."
"Fácil é saber que está rodeado por pessoas queridas. Difícil é saber que está se sentindo só no meio delas..."
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