"Eu vi. Sei que vi porque não dei ao que vi o meu sentido. Sei que vi – porque não entendo. Sei que vi – porque para nada serve o que vi. Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido. Pior ainda: não quero o que vi. O que vi arrebenta a minha vida diária. Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra-me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil."
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Ver todas"O que se chama de essência está em alguma parte do ser. (...) Ah, o que desconheço me ultrapassa. A verdade ultrapassa-me com tanta paciência e doçura. (...) Ao ultrapassar-se, sai-se de si e se cai no "outro". O outro é sempre muito importante."
"E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor?"
"Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu."
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