"Lágrima de preta Encontrei uma preta que estava a chorar, pedi-lhe uma lágrima para a analisar. Recolhi a lágrima com todo o cuidado num tubo de ensaio bem esterilizado. Olhei-a de um lado, do outro e de frente: tinha um ar de gota muito transparente. Mandei vir os ácidos, as bases e os sais, as drogas usadas em casos que tais. Ensaiei a frio, experimentei ao lume, de todas as vezes deu-me o que é costume: Nem sinais de negro, nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) e cloreto de sódio."
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Ver todas""Uns olhos que me olharam com demora, não sei se por amor se por caridade, fizeram-me pensar na morte, e na saudade que eu sentiria se morresse agora." (...) ("Saudades da terra ", de"
"Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém. Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível: com ele se entretém e se julga intangível. Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu, sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito, que o respirar de um só, mesmo que seja o meu, não pesa num total que tende para infinito. Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo, nesta insignificância, gratuita e desvalida, Universo sou eu, com nebulosas e tudo."
"Amor sem tréguas É necessário amar, qualquer coisa, ou alguém; o que interessa é gostar não importa de quem. Não importa de quem, nem importa de quê; o que interessa é amar mesmo o que não de vê. Pode ser uma mulher, uma pedra, uma flor, uma coisa qualquer, seja lá do que for. Pode até nem ser nada que em ser se concretize, coisa apenas pensada, qua a sonhar se precise. Amar por claridade, sem dever a cumprir; uma oportunidade para olhar e sorrir."
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