"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis. Meu coração tá ferido de amar errado. Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém. Quem diria que viver ia dar nisso? Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível. Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra. A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro."
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Ver todas"Quero seguir livre, entende? Mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez em quando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim."
"Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções."
"É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. (Limite Branco)"
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