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"Devaneia só. Utopia, loucura total, saudade sanada numa parada qualquer, sabor de amor, fruta que se fez mulher um capricho do coração, um aperto de mão, suave demais para quem não quer confusão. Desejo escondido, banido, largado em um canto qualquer, solidão que se fez um gemido e formou-se refrão, um grito abafado por ti, uma voz de mulher. Coração devaneia só, sabe ele que a escuridão é abstrata demais para quem não tem nada a perder e amar é desvanecer no abismo do pensamento confuso sem cheiro e sem rumo, sem cor e sem sumo como flor sem perfume e o sorriso sem jeito por não lembrar de sorrir direito, esquecido no tempo, choro calado, choro afastado de ti, não reconheço quem está no espelho, uma sombra quase perdida, fina cortina de fumaça, um resvalo do suor da madrugada, com pingos de saudade, o vento frio tenta esquentar a noite que rejeita a espera do amanhecer. Ela diz ser você, pobre saudade, não sabe mentir."

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