"Não consigo, não me adapto, não me conformo. A rotina jamais me fará satisfeita porque eu tenho uma claustrofobia absurda de lugares e tempos. Estalo os dedos, batuco nos móveis, balanço freneticamente os pés. Preciso de ar. Falo o tempo todo porque o silêncio aumenta minha ansiedade, quero saber de tudo e conhecer todos os assuntos. Vou roer as unhas de esmalte vermelho e pintar meus dentes de nervoso, vou quebrar as janelas para respirar novos ares. Quero gritar mais alto que a música e destruir minha limitações. Então me busca, me tira dessa vida pela metade, me mostra o mundo. Eu quero mais de cada coisa que a existência oferece. Essa prisão, essa pele. Estou vazando pelos poros e tenho medo de explodir. E se algum buraquinho entupir e eu não achar a saída? Meu corpo é muito pequeno e minha ânsia de liberdade queima as beiradas. Minha alma vai escapando, vai se moldando. Se esconde, diminui pra não se mostrar além. Me liberta, me expulsa de mim. Mostra uma arte verdadeira, sem ensaios e apresentações semestrais. Quero perder a garantia por uso excessivo, gastar os saltos dos meus sapatos. Eu não quero nada impossível, quero realidade. Quero alma e vida de verdade. só vejo beleza no que transborda só me interesso pelo que ultrapassa o comum não me comove, o banal não me toca. porque eu gosto é do avesso e o contraditório é que me fortalece"
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Mais de Verônica Heiss
Ver todas"É perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso, e tenho repetido que no que depender de mim, me recuso a ser infeliz."
"Plano B A vida em plano B acontece todos os segundos do dia, principalmente quando você não tem bem certeza se usa amarelo ou pretinho básico e deixa de sair porque não conseguiu se decidir sem gerar lágrimas nos olhos. "Estou feia", você pensa vendo alguma pele sobrar nos quadris. Acontece enquanto você está no trabalho com medo do seu chefe que nem se lembra do seu nome. Naquele momento em que você não devolve um olhar porque ainda está ferida pelo desastre do relacionamento anterior. A vida em Plano B é quando por um lapso de consciência, você resolve sair de camiseta amarela e maquiagem borrada, percebe que seu chefe é só mais um ser humano frustrado que se dedica demais ao trabalho e que um olhar pode fazer esquecer a decepção da semana passada. O Plano B é hoje. É agora. Eu não sei se há vida nas próximas duas horas ou daqui 25 anos. Não sei se darei as mãos em frente ao mar sentindo que nada me falta, se minha preocupação será com o horário de pegar as crianças na escola, se comprarei cremes para as rugas e shampoo para cabelos grisalhos. Mas neste segundo eu posso afirmar com as minhas maiores convicções: o sangue passeia pelo meu corpo, o ar entra e sai dos meu pulmões, os segundos do relógio brigam com as pilhas fracas e passam correndo. Eu não posso ignorar. Eu não posso sentar e assinar papéis cheios de poeira enquanto o sol colore a pele de outras pessoas na praia. Não posso ver um avião decolar da janela de um escritório. Eu preciso estar no avião e ver tudo de cima. Hoje eu digo que estou viva e nada me impede de viver. Em todos os planos."
"A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso, e tenho repetido que no que depender de mim, me recuso a ser infeliz..."
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