"Noturno Agora, à noite, fujo às vezes e aporto em algum bar Como antigamente. Marinheiro do amor, de porto em porto, a vida como um navio, de mar em mar... Pensei que tinha lançado ancora, que plantara raízes, que não partiria mais. E de repente, desarvoraste meu destino, e te foste - volto a ser o antigo marinheiro - e sozinho, preciso embebedar-me, agora num navio encalhado, sem mar..."
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Mais de J. G. de Araújo Jorge
Ver todas"A sós ... Como duas gaivotas na solidão do céu, em pleno mar, sonhando no ar... A sós como duas mãos quando se procuram e se encontram, sem voz... Como eu e tu quando somos nós a sós..."
"A verdade é que eu nada enxergava até que encontrei teus olhos... Ah! meu amor se me deixares agora : ficarei cego..."
"GOSTO QUANDO ME FALAS DE TI Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo e vou descortinando a tua vida na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos [tranqüilos Gosto quando me falas de ti... e então percebo que antes mesmo de chegar, me adivinhavas, que ninguém te tocou, senão o vento que não deixa vestígios, e se vai desfeito em carícias vãs... Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro e te reencontro em teus lábios, apenas pintados, maduros, mas nunca mordidos antes da minha audácia. Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas em teus olhos descampados, sem emboscadas, e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol distendido, e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja primeira curva foi o nosso encontro. Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te [desnudas como uma criança, sem maldade, e que eu cheguei justamente para acordar tua vida que se desenrola inútil como um novelo que nos cai no chão..." (Do livro "Quatro Damas" 1ª Edição, 1965)"
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