"Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa.(...) As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois 'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma."
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Ver todas"DEVE CHAMAR TRISTEZA Deve chamar-se tristeza Isto que não sei que seja Que me inquieta sem surpresa Saudade que não deseja. Sim, tristeza - mas aquela Que nasce de conhecer Que ao longe está uma estrela E ao perto está não a ter. Seja o que for, é o que tenho. Tudo mais é tudo só. E eu deixo ir o pó que apanho De entre as mãos ricas de pó."
"Ah, mágoa de ter consciência da vida! Tu, vento do norte, teimoso, iracundo, Que rasgas os robles, teu pulso de vida Minh’alma do mundo!"
"DÁ-ME A VERDADE:dou-te a vida. A vida esquece como a água PASSA, E é coisa morta a coisa que é esquecida. Dá-me a verdade! Como o que nunca foi, a vida esvoaça. Ter o que é certo nas incertas mãos! Saber bem o que nunca pode ser! Tudo isto nos faz ermos e irmãos No nada que nós somos. Dá-me poder sentir, saber querer! Instante inútil entre ser e estar, Momento vácuo entre sonhar ou não, Tudo isto pode ser e não ficar. Dá-me a verdade! Mas deixa-me a mentira ao coração! (Fernando Pessoa)"
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