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"Acho que estou acostumado a me sentar num quartinho e fazer com que as palavras tenham algum sentido. Já vejo o suficiente da humanidade nos hipódromos, nos supermercados, nos postos de gasolina, nas estradas, nos cafés etc. Não se pode evitar. Mas tenho vontade de me dar um chute na bunda quando vou a festas, mesmo que a bebida seja de graça. Nunca funciona comigo. Já tenho argila suficiente para brincar. As pessoas me esvaziam. Preciso sair para me reabastecer. Sou o que é melhor para mim, sentado aqui atirado, fumando um baseadinho e vendo as palavras brilharem na tela. Raramente encontro uma pessoa rara ou interessante. É mais que pertubador, é um choque constante. Está me tornando um maldito mal-humorado. Qualquer um pode ser um maldito mal-humorado, e a maioria é."

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"Eu era um solitário por natureza, que se contentava em viver com uma mulher, em comer com ela, dormir com ela e sair à rua com ela. Não queria conversas, nem passear, a não ser para ir às corridas de cavalos ou às lutas de boxe. Não gostava de TV, e achava estúpido gastar dinheiro para ir numa sala de cinema com outras pessoas e partilhar as suas emoções. As festas me deixavam doente. Detestava as falsas aparências, os jogos sujos, os namoricos, os bêbados amadores e os chatos. [...] Como solitário, eu não suportava invasões. Isto não tinha nada a ver com ciúmes, simplesmente não gostava de pessoas, multidões, onde quer que fosse, exceto nas minhas leituras. As pessoas diminuíam-me e deixavam-me sem ar. [...] Eu não gostava de Nova Iorque, não gostava de Hollywood, não gostava de Rock, não gostava de nada. Talvez tivesse medo... "os maiores homens são os mais solitários"."

"E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar, nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de lavador de pratos. Talvez eu pudesse ser um ladrão de bancos. Alguma porra. Alguma coisa flamejante, com fogo. Você só tinha direito a uma tentativa. Por que ser um limpador de vidraças?"

"Um Poema de Amor Todas as mulheres todos os beijos as diferentes formas que amam e falam e carecem. suas orelhas todas elas têm orelhas e gargantas e vestidos e sapatos e automóveis e ex- maridos. na maioria das vezes as mulheres são muito quentes elas me lembram torrada com a manteiga derretida nela. está estampado no olhar: elas foram tomadas elas foram enganadas. eu nunca sei o que fazer por elas. sou um bom cozinheiro um bom ouvinte mas nunca aprendi a dançar — eu estava ocupado com coisas maiores. mas eu apreciei suas variadas camas fumando cigarros olhando para o teto. não fui nocivo nem desleal. apenas um aprendiz. eu sei que todas têm pés e descalças elas andam pelo piso enquanto eu olho suas modestas bundas no escuro. sei que gostam de mim, algumas até me amam mas eu amo muito poucas. algumas me dão laranjas e vitaminas; outras falam mansamente da infância e pais e paisagens; algumas são quase loucas mas nenhuma delas deixa de fazer sentido; algumas amam bem, outras nem tanto; as melhores no sexo nem sempre são as melhores em outras coisas; cada uma tem seus limites como eu tenho limites e nós aprendemos cada qual rapidamente. todas as mulheres todas as mulheres todos os quartos os tapetes as fotos as cortinas, é algo como uma igreja raramente se ouve uma risada. essas orelhas esses braços esses cotovelos esses olhos olhando, o afeto e a carência eu tenho agüentado eu tenho agüentado."

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