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"Fogão de Lenha Espere minha mãe estou voltando Que falta faz pra mim um beijo seu O orvalho da manhã cobrindo as flores E um raio de luar que era tão meu O sonho de grandeza, ó mãe querida Um dia separou você e eu Queria tanto ser alguém na vida Apenas sou mais um que se perdeu Pegue a viola e a sanfona que eu tocava Deixe um bule de café em cima do fogão Fogão de lenha deixe a rede na varanda Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar Mãe eu lembro tanto a nossa casa As coisas que falou quando eu saí Lembro do meu pai que ficou triste E nunca mais cantou depois que eu parti Hoje eu já sei, ó mãe querida Nas lições da vida eu aprendi O que eu vim procurar aqui distante Eu sempre tive tudo e tudo está aí"

"Falemos de amor na poesia Leve de "Um soneto", de Guilherme de almeida: Ama, quieto e em silêncio. É tão medroso o amor, que um gesto o esfria e a voz o gela. Não. O amor não é medroso. O poeta brinca apenas com a vulnerabilidade dos sentidos ao emprestar "O eco" à vida: Perguntei à minha vida: - "Como achar a apetecida felicidade absoluta?" E um eco me disse: - LUTA!" Lutei - "Como hei de a esta pena dar a cadência serena que suaviza, embala e encanta?" - "CANTA!" Cantei. - "Mas, como, num verso, resumir todo o universo que em mim vibra, esplende e clama?" então, o eco me disse: - "AMA!" Amei - "Como achar agora a alma simples que eu pus fora pelo prazer de buscá-la?" O eco, então, me disse: - "Cala!" Calei-me. E ele, então, calou-se. Nunca a vida foi tão doce... Tudo é mais lindo a meu lado: Mais lindo, porque calado.[/i] Lutar, cantar, amar e calar... assim queria o poeta. Lutar para que os desvarios mundanos não roubem nossa sensibilidade. Cantar a canção da dor e a canção o amor. Cantar pelos que, empedernidos, já não conhecem os acordes. Cantar por aqueles que impedem a canção alheia. Cantar o silêncio dos que não têm voz ou vez. Amar como ação necessária de encontros e paisagens. Contemplamos o mundo para conhecê-lo e transformá-lo. E calar? Mas como calar diante das feridas abertas da injustiça e da destruição do nosso irmão? Calar para, como Maria, a mãe da esperança, escutar a boa nova, a missão e então agir... ... Paciência não como acomodação. Calar é contemplar o que precisa ser mudado para depois lutar, combatendo o bom combate, e depois cantar uma canção nova e aí, então, amar. E calar novamente. Sim, amigo, é no silêncio dos nossos porões que habitam muitas razões. Ganhar ou perder são imagens que temos de momentos que vivemos e de pessoas com as quais nos surpreendemos. Não sei, amigo, se você tem medo das perdas que surgem por ái. Ou se a paciência já é convidada do seu alimento diário. persigo a paciência como persigo a inquietação; Não quero deixar as coisas como estão. Quero mudar o mundo, sim, e para isso presiso também da paciência. E da cumplicidade. Sozinho, sou incapaz de prosseguir, até porque os medos contemporâneos não me abandonaram. Sozinho, sou capaz de desistir...."

"O céu começa nas pedras."

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