"Soneto da mulher inútil De tanta graça e de leveza tanta Que quando sobre mim, como a teu jeito Eu tão de leve sinto-te no peito Que o meu próprio suspiro te levanta. Tu, contra quem me esbato liquefeito Rocha branca! brancura que me espanta Brancos seios azuis, nívea garganta Branco pássaro fiel com que me deito. Mulher inútil, quando nas noturnas Celebrações, náufrago em teus delírios Tenho-te toda, branca, envolta em brumas. São teus seios tão tristes como urnas São teus braços tão finos como lírios É teu corpo tão leve como plumas."
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Ver todas"Não há nada sem separação."
"...É que os momentos felizes tinham deixados raízes do seu penar!"
"Se mais do que minha namorada Você quer ser minha amada Minha amada, mas amada para valer Aquela amada pelo amor predestinada Sem a qual a vida é nada Sem a qual se quer morrer Você tem que vir comigo Em meu caminho E talvez o meu caminho Seja triste para você Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos E os seus braços o meu ninho No silêncio de depois E você tem de ser a estrela derradeira Minha amiga e companheira No infinito de nós dois."
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