"Se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente."
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Mais de Clarice Lispector
Ver todas"Estou cansada. Meu cansaço vem muito porque sou uma pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo."
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
"E foi tão corpo que foi puro espírito. (Perto do coração selvagem) A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. (A descoberta do mundo) Bem atrás do pensamento tenho um fundo musical. (Água viva) Escuta: Eu te deixo ser, deixa-me ser então. (Água viva) Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece. (A descoberta do mundo) Fiquei até com vontade de chorar mas felizmente não chorei porque quando choro fico tão consolada. (Todas as cartas) Por enquanto estou inventando a tua presença. (A paixão segundo G. H.) Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto – uivaram os lobos, e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. (Felicidade clandestina) Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha. Talvez fosse apenas falta de vida: estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações. (Perto do coração selvagem)"
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