"Nosso sonho morreu. Devagarinho, Rezemos uma prece doce e triste Por alma desse sonho! Vá… baixinho… Por esse sonho, amor, que não existe! Vamos encher-lhe o seu caixão dolente De roxas violetas; triste cor! Triste como ele, nascido ao sol poente, O nosso sonho… ai!… reza baixo… amor… Foste tu que o mataste! E foi sorrindo, Foi sorrindo e cantando alegremente, Que tu mataste o nosso sonho lindo! Nosso sonho morreu… Reza mansinho… Ai, talvez que rezando, docemente, O nosso sonho acorde… mais baixinho…"
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Ver todas"Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer razão do meu viver. Pois que tu és já toda a minha vida!"
"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, E me prendesses toda nos teus braços... A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços... Os teus beijos... a tua mão na minha..."
"Aos olhos dele Não acredito em nada. As minhas crenças Voaram como voa a pomba mansa; Pelo azul do ar. E assim fugiram As minhas doces crenças de criança. Fiquei então sem fé; e a toda a gente Eu digo sempre, embora magoada: Não acredito em Deus e a Virgem Santa É uma ilusão apenas e mais nada! Mas avisto os teus olhos, meu amor, Duma luz suavíssima de dor... E grito então ao ver esses dois céus: Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa Que criou esse brilho que m'encanta! Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!"
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