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"Um Poema de Amor Todas as mulheres todos os beijos as diferentes formas que amam e falam e carecem. suas orelhas todas elas têm orelhas e gargantas e vestidos e sapatos e automóveis e ex- maridos. na maioria das vezes as mulheres são muito quentes elas me lembram torrada com a manteiga derretida nela. está estampado no olhar: elas foram tomadas elas foram enganadas. eu nunca sei o que fazer por elas. sou um bom cozinheiro um bom ouvinte mas nunca aprendi a dançar — eu estava ocupado com coisas maiores. mas eu apreciei suas variadas camas fumando cigarros olhando para o teto. não fui nocivo nem desleal. apenas um aprendiz. eu sei que todas têm pés e descalças elas andam pelo piso enquanto eu olho suas modestas bundas no escuro. sei que gostam de mim, algumas até me amam mas eu amo muito poucas. algumas me dão laranjas e vitaminas; outras falam mansamente da infância e pais e paisagens; algumas são quase loucas mas nenhuma delas deixa de fazer sentido; algumas amam bem, outras nem tanto; as melhores no sexo nem sempre são as melhores em outras coisas; cada uma tem seus limites como eu tenho limites e nós aprendemos cada qual rapidamente. todas as mulheres todas as mulheres todos os quartos os tapetes as fotos as cortinas, é algo como uma igreja raramente se ouve uma risada. essas orelhas esses braços esses cotovelos esses olhos olhando, o afeto e a carência eu tenho agüentado eu tenho agüentado."

"Eu podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria alguma lugar para me esconder. Um lugar onde ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava como me deixava enojado. Pensar em ser um advogado, um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisa simples, participar de piqueniques em famílias, festas de Natal, 4 de Julho, Dia do Trabalhador, Dia das Mães...afinal, é pra isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, voltar para a solidão de um cubículo e beber até dormir."

"De qualquer modo, escrevi sobre uma rã que encontrei no jardim, com uma das pernas presa numa cerca de arame. Não podia se soltar. Eu tirei a perna dela da cerca, mas mesmo assim ela não podia se mover. Por isso eu peguei ela no colo e conversei com ela. Disse que eu também estava preso, que minha vida tinha ficado presa em alguma coisa. Conversei com ela durante um longo tempo. Finalmente, a rã saltou do meu colo e saiu saltando pela grama afora, e desapareceu num matagal. E eu disse a mim mesmo que ela era a primeira coisa de que eu já sentira saudade em minha vida."

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