"Amei-te e por te amar Só a ti eu não via… Eras o céu e o mar, Eras a noite e o dia… Só quando te perdi É que eu te conheci… Quando te tinha diante Do meu olhar submerso Não eras minha amante… Eras o Universo… Agora que te não tenho, És só do teu tamanho. Estavas-me longe na alma, Por isso eu não te via… Presença em mim tão calma, Que eu a não sentia. Só quando meu ser te perdeu Vi que não eras eu. Não sei o que eras. Creio Que o meu modo de olhar, Meu sentir meu anseio Meu jeito de pensar… Eras minha alma, fora Do Lugar e da Hora… Hoje eu busco-te e choro Por te poder achar Não sequer te memoro Como te tive a amar… Nem foste um sonho meu… Porque te choro eu? Não sei… Perdi-te, e és hoje Real no […] real… Como a hora que foge, Foges e tudo é igual A si-próprio e é tão triste O que vejo que existe. Em que és […] fictício, Em que tempo parado Foste o (…) cilício Que quando em fé fechado Não sentia e hoje sinto Que acordo e não me minto…"
Temas Relacionados
Mais de Fernando Pessoa
Ver todas"Horizonte O mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério Splendia sobre sobre as naus da iniciação. Linha severa da longínqua costa Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha. O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esp'rança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte Os beijos merecidos da Verdade."
"E nós não nos peruntávamos para que era aquilo, porque gozávamos o saber que aquilo não era para nada."
"Eu não sei senão amar-te, Nasci para te querer. Ó quem me dera beijar-te, E beijar-te até morrer."
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?



