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"SONETO DO DESMANTELO AZUL Então, pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas, depois, vesti meus gestos insensatos e colori as minhas mãos e as tuas, Para extinguir em nós o azul ausente e aprisionar no azul as coisas gratas, enfim, nós derramamos simplesmente azul sobre os vestidos e as gravatas. E afogados em nós, nem nos lembramos que no excesso que havia em nosso espaço pudesse haver de azul também cansaço. E perdidos de azul nos contemplamos e vimos que entre nós nascia um sul vertiginosamente azul. Azul."

"Para Fazer um Soneto Tome um pouco de azul, se a tarde é clara, e espere um instante ocasional neste curto intervalo Deus prepara e lhe oferta a palavra inicial Ai, adote uma atitude avara se você preferir a cor local não use mais que o sol da sua cara e um pedaço de fundo de quintal Se não procure o cinza e esta vagueza das lembranças da infância, e não se apresse antes, deixe levá-lo a correnteza Mas ao chegar ao ponto em que se tece dentro da escuridão a vã certeza ponha tudo de lado e então comece."

"SONETO O quanto perco em luz conquisto em sombra. E é de recusa ao sol que me sustento. Às estrelas, prefiro o que se esconde Nos crepúsculos graves dos conventos. Humildemente envolvo-me na sombra que veste, à noite, os cegos monumentos isolados nas praças esquecidas e vazios de luz e movimento. Não sei se entendes: em teus olhos nasce a noite côncava e profunda, enquanto clara manhã revive em tua face. Daí amar teus olhos mais que o corpo com esse escuro e amargo desespero com que haverei de amar depois de morto."

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