""Ah! querida esposa, por que ainda és tão formosa? Pensar devo que a morte insubstancial se apaixonasse de ti e que esse monstro magro e horrível para amante nas trevas te conserve? Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui desejo permanecer, com os vermes, teus serventes. Aqui, sim, aqui mesmo fixar quero meu eterno repouso, e desta carne lassa do mundo sacudir o jugo das estrelas funestas. Olhos, vede mais uma vez; é a última. Um abraço permiti-vos também, ó braços! Lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato sempiterno com a morte exorbitante. Vem, condutor amargo! Vem, meu guia de gosto repugnante! Ó tu, piloto desesperado! lança de um só golpe contra a rocha escarpada teu barquinho tão cansado da viagem trabalhosa. Eis para meu amor. Ó boticário veraz e honesto! tua droga é rápida. Deste modo, com um beijo, deixo a vida.”"
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Ver todas"Tão impossível como tentar apagar o lume com neve é tentar apagar o fogo da paixão com palavras."
"Os grandes sofrimentos maiores ainda se tornam à vista do que poderia aliviá-los."
"SONETO MCCXXIV A que devo contemplar este templo Se o mal não destrói a primavera Se pode julgar este exemplo Então meu ódio por mal se venera Em tão triste verão Que não será contado a derrota Belo é viver em vão Pelo bem do amor que amarrota Entro no campo de batalha Vejo aquela cena A regra é sair glorioso Ou perder e cumprir tua pena Se tu nota até o barulho do vento Sabe que das palavras esqueci o acento"
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