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"Belo belo II Belo belo minha bela Tenho tudo que não quero Não tenho nada que quero Não quero óculos nem tosse Nem obrigação de voto Quero quero Quero a solidão dos píncaros A água da fonte escondida A rosa que floresceu Sobre a escarpa inacessível A luz da primeira estrela Piscando no lusco-fusco Quero quero Quero dar a volta ao mundo Só num navio de vela Quero rever Pernambuco Quero ver Bagdá e Cusco Quero quero Quero o moreno de Estela Quero a brancura de Elisa Quero a saliva de Bela Quero as sardas de Adalgisa Quero quero tanta coisa Belo belo Mas basta de lero-lero Vida noves fora zero."

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"Mascarada Você me conhece? (Frase dos mascarados de antigamente) - Você me conhece? - Não conheço não. - Ah, como fui bela! Tive grandes olhos, que a paixão dos homens (estranha paixão!) Fazia maiores... Fazia infinitos. Diz: não me conheces? - Não conheço não. - Se eu falava, um mundo Irreal se abria à tua visão! Tu não me escutavas: Perdido ficavas Na noite sem fundo Do que eu te dizia... Era a minha fala Canto e persuasão... Pois não me conheces? - Não conheço não. - Choraste em meus braços - Não me lembro não. - Por mim quantas vezes O sono perdeste E ciúmes atrozes Te despedaçaram! Por mim quantas vezes Quase tu mataste, Quase te mataste, Quase te mataram! Agora me fitas E não me conheces? - Não conheço não. Conheço que a vida É sonho, ilusão. Conheço que a vida, A vida é traição."

"Meu Quintana Meu Quintana, os teus cantares Não são, Quintana, cantares: São, Quintana, quintanares. Quinta-essência de cantares... Insólitos, singulares... Cantares? Não! Quintanares! Quer livres, quer regulares, Abrem sempre os teus cantares Como flor de quintanares. São cantigas sem esgares. Onde as lágrimas são mares De amor, os teus quintanares. São feitos esses cantares De um tudo-nada: ao falares, Luzem estrelas luares. São para dizer em bares Como em mansões seculares Quintana, os teus quintanares. Sim, em bares, onde os pares Se beijam sem que repares Que são casais exemplares. E quer no pudor dos lares. Quer no horror dos lupanares. Cheiram sempre os teus cantares Ao ar dos melhores ares, Pois são simples, invulgares. Quintana, os teus quintanares. Por isso peço não pares, Quintana, nos teus cantares... Perdão! digo quintanares."

"Boda Espiritual Tu não estas comigo em momentos escassos: No pensamento meu, amor, tu vives nua - Toda nua, pudica e bela, nos meus braços. O teu ombro no meu, ávido, se insinua. Pende a tua cabeça. Eu amacio-a... Afago-a... Ah, como a minha mão treme... Como ela é tua... Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa. O teu corpo crispado alucina. De escorço O vejo estremecer como uma sombra n'água. Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço. E para amortecer teu ardente desejo Estendo longamente a mão pelo teu dorso... Tua boca sem voz implora em um arquejo. Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto A maravilha astral dessa nudez sem pejo... E te amo como se ama um passarinho morto."

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