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"O que tem me perturbado intimamente é que as coisas do mundo chegaram para mim a um certo ponto em que eu tenho que saber como encará-las, quero dizer, a situação de guerra, a situação das pessoas, essas tragédias. Sempre encarei com revolta. Mas ao mesmo tempo que sinto necessidade de fazer alguma coisa, sinto que não tenho meios. Você diria que eu tenho, através do meu trabalho. Eu tenho pensado muito nisso e não vejo caminho, quer dizer, um caminho verdadeiro."

"A inspiração é como um misterioso cheiro de âmbar."

"Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia. (A paixão segundo G. H.) Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. (...) Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso. (Água viva) Respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você. (...) Não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver. (Correspondências) E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano. (Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres) O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. (Correspondências) "Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma? (Laços de família) Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece. (Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres) Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim. (Um sopro de vida) Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só. (A via crucis do corpo) O que me atormenta é que tudo é "por enquanto", nada é "sempre". (Clarice Lispector: esboço para um possível retrato, de Olga Borelli) Corro perigo Como toda pessoa que vive E a única coisa que me espera É exatamente o inesperado. (Água viva)"

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