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W.H. Auden

W.H. Auden

Biografia Completa

Introdução

Wystan Hugh Auden, conhecido como W.H. Auden, nasceu em 21 de fevereiro de 1907, em York, Inglaterra, e faleceu em 29 de setembro de 1973, em Viena, Áustria. Poeta anglo-americano, ele se consolidou como uma das vozes centrais da literatura do século XX. Sua produção poética, marcada por versatilidade formal e engajamento com temas contemporâneos, influenciou gerações. Auden transitou do ativismo político dos anos 1930 para uma poesia mais introspectiva e cristã após a Segunda Guerra Mundial. Naturalizado cidadão dos Estados Unidos em 1946, ele ganhou o Prêmio Pulitzer em 1948 por The Age of Anxiety e o National Book Award em 1956 por The Shield of Achilles. Sua obra reflete as turbulências do modernismo, da Grande Depressão à Guerra Fria, combinando análise social com exploração pessoal. Até fevereiro de 2026, Auden permanece referência em estudos literários por sua maestria técnica e relevância ética.

Origens e Formação

Auden cresceu em uma família de classe média alta. Seu pai, George Augustus Auden, era médico e professor universitário; sua mãe, Constance Fleay, descendia de imigrantes noruegueses e tinha inclinações artísticas. A família se mudou para Birmingham em 1909, onde o jovem Wystan frequentou escolas preparatórias. Aos oito anos, já escrevia poesia, influenciado por leituras de Thomas Hardy e Robert Browning.

Em 1920, ingressou na Gresham's School, em Holt, Norfolk, uma instituição conhecida por seu rigor e ênfase em esportes. Lá, Auden descobriu seu interesse pela mineração e geologia, mas também começou a explorar a literatura. Ele se identificou com a minoria intelectual da escola e iniciou amizades duradouras. Em 1925, entrou no Christ Church, Universidade de Oxford, para estudar Inglês. Seus colegas incluíam Stephen Spender, Cecil Day-Lewis e Louis MacNeice, formando o núcleo dos "poetas dos anos 1930".

Graduou-se em 1928 com honras. Durante Oxford, Auden experimentou com métrica e ritmo, inspirado por Laura Riding, Robert Graves e Emily Dickinson. Ele publicou seus primeiros poemas em revistas universitárias e ganhou notoriedade com leituras públicas. Após a graduação, lecionou em escolas privadas na Escócia e Inglaterra, período em que escreveu Poems (1930), seu primeiro livro, financiado por T.S. Eliot na Faber & Faber.

Trajetória e Principais Contribuições

A década de 1930 marcou o auge do Auden politizado. The Orators (1932) satirizou a sociedade britânica com tom profético. Em 1935, Look, Stranger! (publicado como On This Island nos EUA) consolidou sua fama. Auden viajou à Islândia com Louis MacNeice, resultando em Letters from Iceland (1937), uma mistura de prosa e verso. Com Christopher Isherwood, visitou a China em 1938 durante a guerra sino-japonesa, produzindo Journey to a War (1939).

Sua postura antifascista o levou à Espanha em 1937, durante a Guerra Civil, onde escreveu "Spain" (1937), um hino à causa republicana – embora mais tarde a revisasse criticamente. Em janeiro de 1939, Auden emigrou para os Estados Unidos com Chester Kallman, seu companheiro de longa data. A mudança coincidiu com o início da Segunda Guerra Mundial.

Nos EUA, Auden lecionou em universidades como Michigan e Swarthmore. Another Time (1940) incluiu "September 1, 1939", um lamento sobre o nazismo que ganhou nova vida pós-11 de Setembro. Em 1941, colaborou com Britten em Paul Bunyan. Sua peça The Dog Beneath the Skin (1935, com Isherwood) e The Ascent of F6 (1936) exploraram dilemas modernos.

Pós-guerra, Auden adotou tom mais conservador e cristão. Convertido ao anglicanismo em 1940 com Kallman, ele editou hinos e escreveu For the Time Being (1944), um oratório natalino. The Age of Anxiety (1947), poema em verso branco, ganhou o Pulitzer em 1948 e inspirou uma sinfonia de Leonard Bernstein. Com Stravinsky, libretou The Rake's Progress (1951), ópera elogiada. The Shield of Achilles (1955) rendeu o National Book Award; Homage to Clio (1960) refletiu sobre história.

Auden editou A Selection from the Poems of Alfred, Lord Tennyson (1944) e trabalhou como tradutor de poesia alemã. Nos anos 1960, residiu parcialmente em Kirchstetten, Áustria, e continuou prolífico, com About the House (1965) e City Without Walls (1969). Sua crítica literária, como em The Dyer's Hand (1962), analisou Shakespeare e Freud.

Vida Pessoal e Conflitos

Auden era abertamente homossexual em uma era de repressão. Seu relacionamento com Chester Kallman, iniciado em 1939, durou até sua morte, apesar de turbulento – Kallman era infiel, e Auden o chamava de "meu Judas". Eles moraram juntos em Nova York e na Áustria. Auden fumava muito e bebia, o que afetou sua saúde nos anos finais.

Ele enfrentou críticas por abandonar a Inglaterra e a esquerda radical. "Spain" foi acusado de glorificar violência; Auden a removeu de coletâneas posteriores, julgando-a imoral. Sua emigração em 1939 gerou acusações de deserção. Intelectualmente, rompeu com o marxismo após conhecer a Alemanha nazista e a URSS. Amizades com Isherwood, Spender e Britten enriqueceram sua rede, mas ele valorizava solitude.

Nos anos 1950-60, Auden atuou como chanceler na Academia de Poetas Americanos e viajou como Oxford Professor of Poetry (1956-1961), apesar de ausências. Sua aparência desleixada contrastava com a precisão poética.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Auden deixou mais de 400 poemas, libretos e ensaios. Sua influência persiste em poetas como Seamus Heaney e contemporâneos. Até 2026, edições completas como Collected Poems (1976, editada por Edward Mendelson) mantêm-no em catálogos acadêmicos. Poemas como "Funeral Blues" (Four Weddings and a Funeral, 1994) popularizaram-no. Estudos analisam seu freudismo, cristianismo e ecologia precoce.

Em 2026, eventos como o centenário de Look, Stranger! (2035 adiado) e reedições destacam sua adaptação linguística. Auden simboliza a ponte entre modernismo britânico e pós-guerra americano, com relevância em debates sobre exílio, identidade queer e ética poética.

Pensamentos de W.H. Auden

Algumas das citações mais marcantes do autor.

"Pare os relógios, cale o telefone; evite o latido do cão com um osso; emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie a vinda do caixão, seguido pelo cortejo. Que os aviões voem em círculos, gemendo e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu. Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste, meu oeste. Meus dias úteis, meus finais-de-semana; meu meio dia, meia-noite, minha fala e meu canto… As estrelas não são mais necessárias, apague-as uma por uma. Guarde a lua, desmonte o sol. Despeje o mar e livre-se da floresta. Pois nada mais poderá ser bom como era antes."
"Parem os relógios Cortem o telefone Impeçam o cão de latir Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão Venham os pranteadores Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem: "Ele está morto" Ponham laços nos pescoços brancos das pombas Usem os policiais luvas pretas de algodão. Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste. Minha semana de trabalho e meu domingo Meu meio-dia, minha meia-noite. Minha conversa, minha canção. Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me. As estrelas são indesejadas agora, dispensem todas. Embrulhem a lua e desmantelem o sol Despejem o oceano e varram o bosque Pois nada mais agora pode servir."
"Parem todos os relógios, desliguem o telefone, Evitem o latido do cachorro com seu osso suculento, Silenciem os pianos e com tambores lentos Tragam o caixão, deixem que o luto chore. Deixem que os aviões voem em círculos altos Riscando no céu a mensagem Ele Está Morto, Ponham gravatas beges no pescoço dos pombos brancos do chão, Deixem que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste, Minha semana útil e meu domingo inerte, Meu meio-dia, minha meia-noite, minha canção, meu papo, Achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado. As estrelas não são necessárias: retirem cada uma delas; Empacotem a lua e façam o sol desmanchar; Esvaziem o oceano e varram as florestas; Pois nada no momento pode algum bem causar."