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W. C. Fields

W. C. Fields

Biografia Completa

Introdução

William Claude Dukenfield, mais conhecido como W. C. Fields, nasceu em 15 de janeiro de 1880, em Darby, Pensilvânia, e faleceu em 25 de dezembro de 1946, em Los Angeles, Califórnia. Humorista norte-americano icônico, ele se destacou como malabarista, ator e roteirista, dominando o vaudeville, o teatro de revista e o cinema. Fields personificava o americano comum frustrado, com um humor seco, cínico e impregnado de ironia sobre álcool, família e autoridade.

Sua relevância perdura pela criação de um arquétipo cômico duradouro: o vigarista falido, beberrão e rabugento. Frases como "Never give a sucker an even break" e "God bless the child that's got his own" definem seu legado. Até 1946, atuou em dezenas de filmes, influenciando gerações de comediantes. De acordo com registros históricos consolidados, Fields transformou sua vida errática em arte, tornando-se símbolo da comédia pré-Segunda Guerra.

Origens e Formação

Fields cresceu em uma família pobre de imigrantes ingleses. Seu pai, James Lydon Dukenfield, trabalhava como estivador e açougueiro em Filadélfia; a mãe, Kate Spangler, era dona de casa. A infância foi marcada por pobreza e violência doméstica. Aos nove anos, vendia frutas e tabaco nas ruas; aos 11, fugiu de casa após conflitos com o pai.

Aos 12 anos, juntou-se a um circo em Atlantic City como malabarista aprendiz. Autodidata, refinou técnicas com garrafas de uísque e cachimbos, criando rotinas originais. Em 1898, aos 18, estreou no vaudeville como "W. C. Fields, the Eccentric Juggler". Viajou por EUA e Europa, aperfeiçoando um estilo trôpego e cômico que contrastava com malabaristas precisos.

Influências iniciais incluíam comediantes de tenda e o humor físico de circos. Sem educação formal além do primário, Fields leu vorazmente Charles Dickens, admirando narrativas de perdedores resilientes. Essa base formou seu personagem recorrente: o homem comum contra o mundo.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Fields decolou no vaudeville nos anos 1900. Em 1905, integrou o Hammerstein's Roof Garden em Nova York. Seu ato solo, com malabarismo falho e monólogos sarcásticos, cativou plateias.

Em 1915, Florenz Ziegfeld o contratou para as Ziegfeld Follies, onde brilhou por seis anos. Ali, abandonou o malabarismo puro por sketches falados, imitando sotaques e satirizando a alta sociedade. Em 1923, protagonizou Poppy na Broadway, como o vigarista Cuthbert J. Twillie – papel que repetiria no cinema. A peça correu por dois anos, consolidando sua fama teatral.

Hollywood o chamou em 1925 com filmes mudos como Sally of the Sawdust e That Royal Cheat, dirigidos por D. W. Griffith. Fields adaptou-se ao cinema sonoro em 1932 com Million Dollar Legs. Seus maiores sucessos vieram na Universal Pictures (1934-1941):

  • The Old-Fashioned Way (1934): Vigarista circense.
  • It's a Gift (1934): Pai de família incompetente em viagem caótica.
  • The Man on the Flying Trapeze (1935): Inventor frustrado.
  • You're Telling Me! e David Copperfield (1934-1935): Variados papéis cômicos, incluindo Micawber dickensiano.
  • You Can't Cheat an Honest Man (1939): Comédia com ventríloquo.
  • The Bank Dick (1940): Clássico como Egbert Sousé, gerente acidental de banco.
  • Never Give a Sucker an Even Break (1941): Roteiro e direção parcial, meta-cômico.

Em 1940, contracenou com Mae West em My Little Chickadee, gerando diálogos afiados. Fields roteirizou muitos filmes, injetando improvisos. Sua contribuição principal: humor verbal anti-heróico, com personagens que bebem, trapaceiam e reclamam, refletindo a Depressão. Até 1941, atuou em cerca de 30 filmes, além de rádio e gravações.

Vida Pessoal e Conflitos

Fields casou-se em 1900 com Harriet "Hattie" Hughes, comediante de vaudeville, aos 20 anos. Tiveram uma filha, Claudette, em 1909. O casamento azedou cedo; separaram-se em 1912, mas nunca divorciaram formalmente. Fields manteve amantes, incluindo Carlotta Monti (anos 1930-1946).

Álcoolismo crônico definiu sua vida adulta. Bebia uísque misturado com soda desde os 20, alegando problemas estomacais – na verdade, vício. Atrasos em sets por bebedeiras irritaram estúdios; Paramount o demitiu em 1936. Rivalidades marcaram sua trajetória: detestava diretores como Leo McCarey e críticos que o rotulavam de "palhaço decadente".

Saúde deteriorou nos anos 1940: pneumonia, úlceras e cirrose hepática. Internado múltiplas vezes, recusou transfusões por medo de sangue "ruim". Ateu convicto, memorizou a Bíblia para debater clérigos e planejou túmulo sob nome falso ("Otis Criblecoblis") para evitar família. Conflitos familiares culminaram em testamento que excluía herdeiros, doando bens a causas excêntricas. Morreu sozinho no hospital, aos 66 anos.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Fields deixou 30 filmes, preservados em acervos como o da Library of Congress. Seu estilo influenciou comediantes como Groucho Marx, Jack Lemmon e modernos como Bill Murray. Frases entraram no léxico americano; The Bank Dick é cultuado por críticos como Pauline Kael.

Até 2026, documentários como W. C. Fields Straight Up (1986) e biografias como W. C. Fields: A Biography (1984, de Wes D. Gehring) mantêm-no vivo. Festivais de cinema mudo o exibem; edições em DVD/Blu-ray de 2010-2020 popularizam sua obra. Culturalmente, representa o humor irreverente da Era de Ouro de Hollywood, com relevância em tempos de sátira social. Sem ele, a comédia americana perderia seu tom misantrópico clássico.

Pensamentos de W. C. Fields

Algumas das citações mais marcantes do autor.