Introdução
Vittorio Amedeo Alfieri nasceu em 16 de janeiro de 1749, em Asti, no ducado de Sabóia (atual Piemonte, Itália), e faleceu em 8 de outubro de 1803, em Florença. Dramaturgo, poeta e escritor, ele representa uma figura central do pré-romantismo italiano e do neoclassicismo trágico. Suas 19 tragédias, escritas entre 1775 e 1787, romperam com o teatro barroco italiano, adotando regras aristotélicas estritas de unidade de tempo, lugar e ação, inspiradas em Corneille, Racine e Voltaire.
Alfieri dedicou sua vida à literatura como forma de combater a tirania e exaltar a liberdade individual, temas recorrentes em obras como Saul, Filippo e Bruto I. Sua autobiografia, Vita di Vittorio Alfieri scritta da esso medesimo (publicada postumamente em 1804), oferece um relato franco de sua formação e inquietudes. Nobres de origem, ele viajou extensivamente pela Europa, absorvendo influências culturais que moldaram sua visão política e estética. Até fevereiro de 2026, seu legado persiste em estudos literários italianos, com edições críticas de suas obras e análises sobre seu papel no Risorgimento.
Origens e Formação
Alfieri veio de uma família nobre de Asti. Seu pai, o conde Antonio Alfieri, era um proprietário rural conservador, enquanto sua mãe, Chiara Caudiano, faleceu quando ele tinha poucos meses. Órfão cedo, foi criado pela avó e tutores. Aos nove anos, ingressou no Colégio dos Nobres em Turim, uma escola jesuítica para a elite saboiana.
A educação formal durou até 1766, quando abandonou a academia militar de Turim, apesar de sua patente de capitão da guarda. Insatisfeito com a vida cortesã em Turim, Alfieri iniciou viagens pela Europa em 1767. Visitou Parma, Roma, Nápoles, França, Inglaterra, Holanda, Suécia e Dinamarca. Essas andanças, descritas em sua Vita, expuseram-no a Shakespeare, Voltaire e ao parlamentarismo inglês, despertando seu desprezo pela monarquia absoluta saboiana.
De volta à Itália em 1772, fixou-se em Turim e começou a escrever. Sua primeira peça, Cleopatra (1775), foi um fracasso inicial, mas marcou o início de sua reforma teatral. Ele estudou grego e latim intensamente, queimando obras teatrais italianas antigas para se concentrar no modelo clássico.
Trajetória e Principais Contribuições
A produção literária de Alfieri concentrou-se em tragédias neoclássicas. Entre 1776 e 1783, compôs dez peças em Pisa e Florença, incluindo Antigone (1778), Oreste (1780) e Agamemnone (1783). Saul (1787), considerada sua obra-prima, retrata o rei bíblico atormentado pela inveja e pelo destino, com forte crítica à autoridade tirânica.
Outros marcos incluem Mirra (1783), sobre incesto e culpa, Polinice (1785) e Don Garcia (1789). Ele revisou suas tragédias sete vezes, publicando-as em 1783 (sete peças), 1787 (dez) e 1789 (completo, com 19). Alfieri escreveu em italiano toscano puro, evitando dialetos regionais, e introduziu o "verso sciolto" (endecassílabo solto) para maior fluidez dramática.
Além das tragédias, produziu sonetos, odes e tratados. Del principe e delle lettere (1778-1786) defende a independência do escritor perante príncipes tiranos. La parità e Misogallo criticam a Revolução Francesa. Sua autobiografia Vita, escrita em 1790 (Florença), é um documento sincero sobre sua evolução intelectual, com episódios como sua recusa em duelos e viagens.
Alfieri também compôs seis comédias menores e Etruria vendicata (1799), uma ode profética contra Napoleão. Sua obra total, editada postumamente, influenciou o teatro italiano moderno.
Vida Pessoal e Conflitos
Alfieri manteve relações tumultuadas. Em 1777, apaixonou-se por Luisa Stolberg-Gedern, condessa de Albany, esposa separada do príncipe Carlos Eduardo Stuart (o "Jovem Pretendente"). Eles se encontraram em Londres em 1778 e fugiram para Florença em 1779, onde viveram juntos até a morte dela em 1824.
Essa união, platônica em parte devido a problemas de saúde de Alfieri (úlceras e dores crônicas), inspirou sonetos como Le tre età dell'uomo. Ele sofreu crises de saúde, incluindo uma paralisia temporária em 1783, tratada em Pisa.
Politicamente, Alfieri opôs-se ao absolutismo saboiano e à Revolução Francesa após 1792, vendo-a como nova tirania. Viveu exilado em Florença de 1793 a 1803, sob proteção dos Médici. Conflitos internos incluíam sua frustração com o público italiano, lento em apreciar suas inovações, e sua autodisciplina rigorosa, como dietas extremas e estudos obsessivos.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Alfieri é visto como precursor do Risorgimento, com temas antifascistas e libertários em peças como Bruto I e Virginia. Sua reforma teatral pavimentou o caminho para Manzoni e o teatro verista. Até 2026, edições críticas (como a de 1951 pela Mondadori) e estudos acadêmicos, como os de Giorgio Masi e Mario Fubini, analisam sua poética.
Em Florença, o Gabinete Vieusseux preserva manuscritos. Encenações modernas, como Saul no Festival dei Due Mondi (Spoleto, 2023), destacam sua atualidade em debates sobre poder. Universidades italianas incluem-no em currículos de literatura do Iluminismo, com traduções em inglês e francês mantendo sua presença global.
