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Valéry Larbaud

Valéry Larbaud

Biografia Completa

Introdução

Valéry Marie René Larbaud nasceu em 29 de agosto de 1881, em Vichy, França, e faleceu na mesma cidade em 2 de junho de 1957. Escritor prolífico, ele se destacou como poeta, romancista, contista, ensaísta e tradutor no cenário literário europeu do início do século XX. Sua importância reside na ponte que construiu entre literaturas francesa, inglesa e americana, promovendo autores como James Joyce e Samuel Beckett.

Larbaud personificou o cosmopolitismo intelectual: poliglota fluente em várias línguas, ele viajou por Europa, Américas e Oriente Médio, absorvendo influências diversas. Rentista de família abastada, dedicou-se à escrita sem pressões comerciais. Obras como Fermina Márquez (1911) capturam sua sensibilidade exótica e irônica. Apesar de um derrame em 1935 que o deixou paralisado, ditou textos notáveis até o fim. Até 2026, sua reputação persiste entre eruditos por introduzir o modernismo anglo-saxão na França.

Origens e Formação

Larbaud cresceu em Vichy, cidade termal conhecida por suas águas medicinais. Filho único de René Larbaud, farmacêutico bem-sucedido, e Valérie de Lestrade, herdou uma fortuna considerável após a morte precoce do pai em 1894, aos 13 anos. Essa herança precoce – estimada em milhões de francos – permitiu-lhe independência financeira total.

Educou-se em colégios católicos em Vichy e Roanne. Aos 17 anos, ingressou na Universidade de Lyon para estudar Direito, mas abandonou os estudos em 1902, preferindo a literatura. Viajou pela Itália e Espanha, onde descobriu autores como Cervantes e Góngora. Em Paris, frequentou círculos literários e conheceu André Gide e Paul Valéry.

Sua formação autodidata enfatizou línguas: dominava inglês, espanhol, italiano, alemão e latim. Colecionou edições raras de livros, formando uma biblioteca de 40 mil volumes em sua mansão em Vichy. Essas origens moldaram um autor erudito, distante das vanguardas radicais, mas alinhado ao refinamento simbolista e modernista.

Trajetória e Principais Contribuições

Larbaud publicou seu primeiro livro, Poèmes des circonstances (1907), aos 26 anos, mas ganhou projeção com Fermina Márquez (1911), romance curto sobre um seminarista obcecado por uma figura feminina andaluza. A obra mistura erotismo sutil, ironia e exotismo, influenciada por viagens à Espanha. Críticos o comparam a um "poema em prosa".

Em 1918, lançou A. O. Barnabooth, diário fictício de um milionário argentino errante, que explora tédio existencial e cosmopolitismo. O livro antecipa temas joycianos de fluxo de consciência. Seguiram-se Amour, Poisson d'avril (1922), contos eróticos, e Journal nocturne (1934), prosa poética noturna.

Como poeta, destacou-se em Poésies lyriques (1921) e coletâneas posteriores, com versos elegantes e melancólicos. Ensaísta incansável, escreveu sobre Pound, Eliot e Joyce em revistas como Nouvelle Revue Française (NRF). Sua tradução de Ulisses (1929-1937, parcial) introduziu Joyce à França; publicou trechos em 1924. Também verteu obras de Conrad, Virginia Woolf e Faulkner.

Nos anos 1920, organizou eventos como o "Banquete de Vichy" (1929), reunindo escritores como Gide e Cocteau. Após 1935, paralisado dos ombros para baixo por um derrame, ditou Sous l'invocation de Saint Jérôme (1945), sobre tradução bíblica, e Ce Vice impuni, la lecture (1941), elogio à leitura. Contribuiu para revistas até os anos 1950, mantendo influência discreta.

Vida Pessoal e Conflitos

Larbaud manteve vida reservada em Vichy, evitando Paris boêmia. Nunca se casou, mas manteve laços afetivos profundos. Viveu com a governanta Céleste Albaret (viúva de um amigo) após 1918; ela cuidou dele por 40 anos, inclusive pós-derrame. Rumores sugerem relação platônica ou romântica, mas ele permaneceu celibatário declarado.

Sua saúde fragilizou cedo: problemas cardíacos e reumáticos o limitaram. O derrame de 11 de novembro de 1935, durante viagem a Itália, o deixou tetraplégico, dependente de enfermeiras. Ditava textos por horas diárias, demonstrando resiliência.

Conflitos literários foram mínimos: criticou surrealistas por excessos, preferindo classicismo moderno. Financeiramente seguro, evitou polêmicas comerciais. Amizades com Joyce (correspondência intensa 1920-1930), Pound e Beckett enriqueceram sua rede, mas ele se isolou em Vichy durante guerras mundiais, criticando nazismo em textos. Perdeu parte da biblioteca em bombardeios de 1944, mas preservou o essencial.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Larbaud influencia estudos de tradução e modernismo. Sua versão de Ulisses permanece referência, apesar de incompleta. Edições críticas de suas obras saíram nos anos 1970-1990 pela Gallimard. Em 2026, acadêmicos destacam seu papel em globalizar literatura: promoveu "americanismo" na França pré-1929.

Biblioteca Larbaud em Vichy preserva seu acervo, atraindo pesquisadores. Prêmios e simpósios anuais celebram-no. Autores contemporâneos como Patrick Modiano citam sua influência em narrativas intimistas. Sua erudição cosmopolita ressoa em era digital, onde tradução e hibridismo cultural dominam. Sem sucessor direto, seu legado é de ponteiro sutil entre tradições.

Pensamentos de Valéry Larbaud

Algumas das citações mais marcantes do autor.