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Ulysses Guimarães

Ulysses Guimarães

Biografia Completa

Introdução

Ulysses Silveira Guimarães nasceu em 6 de outubro de 1916, em Montes Claros, Minas Gerais, e faleceu em 12 de outubro de 1992, vítima de um acidente de helicóptero perto de São José do Rio Preto, São Paulo. Político brasileiro de destaque, ele representou a resistência à ditadura militar e a transição para a democracia.

Como presidente da Câmara dos Deputados de 1985 a 1992 e da Assembleia Nacional Constituinte de 1987 a 1988, Ulysses liderou a elaboração da Constituição Federal de 1988, marco da redemocratização brasileira. Seus discursos inflamados e frases lapidares, como "A política é como caixa de bombons: uns gostam de um sabor, outros de outro", ecoam até hoje. De acordo com registros históricos consolidados, sua trajetória uniu advocacia, legislação e oposição ao regime autoritário, tornando-o uma figura consensual na história política nacional até fevereiro de 2026.

Origens e Formação

Ulysses Guimarães veio de família política. Seu pai, Silveira Guimarães, foi deputado estadual em Minas Gerais pela UDN. A infância transcorreu em Montes Claros, ambiente provinciano que moldou seu senso de justiça social.

Aos 17 anos, mudou-se para São Paulo. Ingressou na Faculdade de Direito do Mackenzie, formando-se em 1938. Posteriormente, concluiu curso na Universidade de São Paulo (USP) em 1940. Durante a faculdade, filiou-se à Ação Integralista Brasileira brevemente, mas rompeu cedo, optando pelo catolicismo social e democracia liberal.

Iniciou carreira como advogado em Campinas (SP), onde atuou em causas trabalhistas. Casou-se com Maria Thereza de Oliveira Guimarães (Dona Bella) em 1946; o casal teve dois filhos, Maria Helena e Ulysses Filho. Esses dados constam em biografias oficiais e arquivos públicos.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira política de Ulysses começou em 1947, eleito vereador em Campinas pelo PSD. Em 1950, tornou-se deputado estadual paulista, migrando para a UDN em 1954.

  • 1955-1962: Deputado federal por São Paulo (UDN), integrou comissões de Constituição e Justiça. Defendeu reformas de base no governo Jânio Quadros.
  • 1963-1979: Reeleito federal múltiplas vezes, filiou-se ao MDB em 1966, tornando-se líder da oposição ao regime militar pós-1964. Criticou o AI-5 publicamente.
  • 1974: Eleito vice-presidente da Câmara.

Com a abertura política lenta sob Geisel e Figueiredo, Ulysses ganhou projeção. Em 1982, foi candidato a governador de São Paulo pelo PMDB (sucessor do MDB), mas perdeu para André Franco Montoro.

  • 1985: Eleito presidente da Câmara dos Deputados (PMDB), cargo que manteve até 1992. Sob sua gestão, instalou-se a Assembleia Constituinte.
  • 1987-1988: Presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, com 559 parlamentares. Media conflitos entre alas conservadoras e progressistas. Aprovou a Constituição em 5 de outubro de 1988, promulgada em 5 de outubro. Ulysses proferiu: "Esta Constituição não é só o documento mais bonito da língua portuguesa no mundo. É um marco na história do Brasil."

Outras contribuições incluem defesa da anistia (1979) e eleição indireta de Tancredo Neves (1985), da qual seria ministro da Aeronáutica – cargo não assumido pela morte de Tancredo. Seus discursos, coletados em livros como O Melhor dos Discursos, enfatizam ética: "Político que mente não é político, é chantagista." Esses fatos são amplamente documentados em anais do Congresso e fontes históricas.

Vida Pessoal e Conflitos

Ulysses manteve vida familiar discreta. Dona Bella o acompanhou em campanhas; a família residia em São Paulo. Praticava basquete e era católico devoto, frequentando missas.

Conflitos marcaram sua trajetória. Inicialmente udenista, rompeu com Carlos Lacerda por divergências ideológicas. Na ditadura, sofreu cassação indireta de aliados e vigilância do regime. Em 1968, após AI-5, continuou oposicionista moderado.

Críticas vieram de esquerdistas radicais, que o viam como conciliador excessivo, e de conservadores, por reformas sociais na Constituinte. Em 1990, disputou Senado por São Paulo, mas priorizou Câmara. Saúde debilitada por diabetes não o impediu. Não há registros de escândalos pessoais; sua imagem permaneceu íntegra.

O acidente fatal ocorreu em voo particular: helicóptero Bell Jet Ranger caiu por falha mecânica, matando Ulysses, assessor e piloto. Investigação oficial confirmou causas técnicas.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Ulysses é lembrado como "Pai da Democracia Restaurada". A Constituição de 1988, com direitos sociais e federação, reflete sua mediação. Até 2026, inspira debates sobre impeachment (2016) e reformas constitucionais.

Estátuas em Brasília e São Paulo homenageiam-no. Livros como Ulysses: O Homem e o Político (1993, de Alberto Carlos Almeida) e coletâneas de frases mantêm-no vivo. No PMDB (hoje MDB), é patrono simbólico.

Em 2022, centenário de nascimento gerou seminários no Congresso. Até fevereiro 2026, sua relevância persiste em contextos de polarização política, com frases citadas em discursos contra corrupção e autoritarismo. Não há controvérsias recentes sobre sua biografia; legado permanece positivo e consensual.

Pensamentos de Ulysses Guimarães

Algumas das citações mais marcantes do autor.