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Ugo Foscolo

Ugo Foscolo

Biografia Completa

Introdução

Ugo Foscolo, nascido Nicolò Ugo Foscolo em 25 de fevereiro de 1778, na ilha de Zante (atual Zacinto, Grécia), então possessão veneziana, destaca-se como figura central da literatura italiana de transição entre neoclassicismo e romantismo. Escritor, poeta, romancista e dramaturgo, ele personifica o intelectual patriota do Risorgimento inicial. Seu poema Dei Sepolcri (1807), conhecido em português como Os Sepulcros, o imortalizou ao defender a memória dos grandes através de túmulos poéticos, inspirado em um debate sobre a proibição napoleônica de sepulturas monumentais.

Foscolo viveu em época turbulenta: queda da República de Veneza (1797), domínio francês, restauração austríaca e exílio. Suas obras refletem amor à pátria, melancolia pelo exílio e tensão entre razão clássica e emoção romântica. De acordo com fontes históricas consolidadas, ele influenciou gerações de italianos, simbolizando a luta pela unidade nacional. Sua vida, marcada por dívidas, amores e militância, terminou em pobreza em 10 de setembro de 1827, em Turnham Green, perto de Londres. Seu legado persiste na educação italiana e estudos literários.

Origens e Formação

Foscolo nasceu em uma família modesta. Seu pai, Andrea Foscolo, era médico veneziano originário de Corfu. A mãe, Diamantina Spathis, descendia de nobres gregos albaneses. A infância transcorreu em Zante, ambiente multicultural das Ilhas Jônicas, sob influência helênica e veneziana. Em 1788, após a morte do pai por tuberculose, a família mudou-se para Veneza.

Lá, Foscolo frequentou o Collegio della Sapienza, mas abandonou os estudos formais aos 16 anos. Autodidata voraz, devorou clássicos gregos e latinos – Homero, Virgílio – e autores italianos como Petrarca e Alfieri. Em Pádua, de 1792 a 1797, matriculou-se em matemática e física na Universidade, mas dedicou-se à literatura e política. A invasão francesa de 1796-1797 o radicalizou: viu Napoleão como libertador contra a Áustria. Ingressou na Guarda Cívica de Veneza e escreveu sua primeira ode, Ao general Bonaparte libertador (1797).

Essas origens forjaram seu cosmopolitismo: identidade italiana, grega e europeia. Zante inspirou saudades em obras posteriores, enquanto Veneza simbolizou a pátria perdida.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira literária de Foscolo decolou com o romance epistolar Últimas Cartas de Jacopo Ortis (1802, revisado em 1816-1817). Inspirado em Werther de Goethe e no suicídio do jacobino italiano Luigi Pajella, narra o desespero de um jovem patriota ante a dominação estrangeira e amor não correspondido. A obra, precursora do romantismo italiano, mistura autobiografia, política e sentimentalismo.

Em 1807, publicou Dei Sepolcri, soneto heróico de 295 versos encomendado pela poetisa Ippolita Pindemonte. Resposta à lei napoleônica que igualava sepulturas, o poema exalta túmulos de heróis como Dante e Câncer, argumentando que a memória imortaliza a glória nacional. Virou marco do civismo poético, recitado em praças e escolas.

Foscolo atuou como jornalista e professor. Em Milão, sob o Reino Napoleônico da Itália, dirigiu o Gazzetta di Milano e lecionou eloquência na Universidade de Pavia (1809), mas renunciou por discordar da censura. Escreveu tragédias: Teoria delle acque falhou, mas Ajace (1811) polemizou com o ator Vincenzo Monti, defendendo honra militar contra bajulação napoleônica.

O Hino italiano (1807, ao Congresso de Erfurt) e o inacabado Le Grazie (1822, hino às Graças como protetoras da civilização) completam suas contribuições poéticas. Em 1814-1815, com a queda de Napoleão, opôs-se à volta austríaca em panfletos como Scritti politici.

  • Principais obras:
    Ano Obra Gênero Tema chave
    1802 Últimas Cartas de Jacopo Ortis Romance epistolar Pátria, amor, suicídio
    1807 Dei Sepolcri Poema Memória, sepulcros
    1811 Ajace Tragédia Honra, crítica política
    1822 Le Grazie (inacabado) Poema Civilização, graça

Sua prosa crítica, como Saggio sul Ninfalemon (sobre Boccaccio), analisou a literatura italiana.

Vida Pessoal e Conflitos

Foscolo manteve relações tumultuadas. Em 1802, apaixonou-se por Isabella Ronzoni, casada, inspiradora de Ortis. Teve filha, Dorotea, em 1809, com Antonina Vismara, mas negligenciou-as por dívidas crônicas. Amores com a condessa Antonina e a inglesa Francesca Paulet marcaram o exílio.

Politicamente, conflitou com autoridades. Expulso de Milão por Monti (favorito austríaco), fugiu para Florença e Suíça em 1815. Na Inglaterra, de 1816, lecionou italiano em Cambridge e Londres, traduziu Sterne e Homero, mas afundou em pobreza: prendeu-se por dívidas em 1824. Viveu isolado, doente de gota e sífilis, escrevendo artigos para Edinburgh Review.

Críticas o perseguiram: acusado de oportunismo por alternar apoio francês e anti-austríaco. Sua vaidade e impulsividade geraram inimizades. Não há relatos de diálogos internos, mas cartas revelam desespero: "A Itália está perdida".

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Foscolo simboliza o patriota literário pré-Risorgimento. Os Sepulcros integra antologias escolares italianas, influenciando Leopardi e Manzoni. Seu corpo, exumado em 1871, repousa na Igreja de Santa Croce, Florença, ao lado de Galileu e Maquiavel – ironia poética para quem exaltou sepulcros.

Até 2026, estudos o posicionam como ponte neoclassicista-romântica. Edições críticas de Ortis e Sepolcri saem regularmente. Comemorações em Zante e Veneza celebram seu bicentenário de morte (2027 adiado). Na cultura pop, inspira filmes como Foscolo (1980). Seu civismo ressoa em debates sobre identidade europeia. Não há influência direta em movimentos contemporâneos, mas persiste em literatura comparada.

Pensamentos de Ugo Foscolo

Algumas das citações mais marcantes do autor.