Voltar para Tomi Ungerer
Tomi Ungerer

Tomi Ungerer

Biografia Completa

Introdução

Jean Thomas "Tomi" Ungerer nasceu em 28 de novembro de 1931, em Estrasburgo, na Alsácia, região de fronteira entre França e Alemanha. Morreu em 8 de fevereiro de 2019, aos 87 anos, em seu castelo em Dabo, nos Vosges, França. Ao longo de seis décadas, produziu mais de 140 livros, abrangendo literatura infantil, sátira política, erotismo e autobiografias. Sua obra se destaca pela versatilidade: de animais antropomórficos fofos a desenhos crus sobre guerra e sexo. Recebeu o Prêmio Hans Christian Andersen de Ilustração em 1998 e a Legião de Honra francesa. Ungerer desafiou convenções, misturando inocência e provocação, e fundou o Museu Tomi Ungerer em Estrasburgo em 2007. Sua relevância persiste na ilustração contemporânea, influenciando gerações com traços expressionistas e humor negro.

Origens e Formação

Ungerer cresceu em uma família alsaciana bilíngue, falando francês e alemão. Seu pai, Theo Ungerer, era químico e ilustrador amador; morreu de câncer em 1937, quando Tomi tinha seis anos. A mãe, Alice, gerenciava uma pensão. A infância na Alsácia ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial marcou-o profundamente. Aos 12 anos, desenhava cartazes anti-nazistas em segredo, arriscando punição.

Frequentou a École Municipale de Dessin et d'Art Décoratif em Estrasburgo, mas abandonou os estudos formais aos 18 anos. Autodidata, inspirou-se em artistas como Henri de Toulouse-Lautrec e em quadrinhos americanos. Em 1952, publicou seu primeiro desenho no jornal Die Welt. Aos 24 anos, em 1956, mudou-se para os Estados Unidos com poucos dólares, chegando a Nova York sem visto de trabalho. Lá, trabalhou como limpador de janelas e entregador para sobreviver, enquanto enviava portfólios a editoras.

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Ungerer decolou em 1957 com The Mellops, série de livros infantis sobre uma família de porcos aventureiros, publicada pela Harper & Brothers. Seguiram-se sucessos como Crictor (1958), sobre uma jiboia parisiense, e Adelaide (1959), uma girafa em Nova York. Até os anos 1960, lançou mais de 20 títulos infantis, vendendo milhões de cópias.

Nos anos 1960, explorou temas adultos. The Underground Sketchbook (1964) continha desenhos eróticos e satíricos sobre a contracultura. Durante a Guerra do Vietnã, publicou The Party (1966), comparando bombardeios a festas, e Compostelle (1967), crítica ao consumismo. Em 1969, Fornicon satirizava o feminismo radical com bonecos sexuais. Sua exposição na New York Public Library em 1967 levou a acusações de pornografia infantil; o prefeito John Lindsay removeu os livros das bibliotecas públicas.

Em 1976, mudou-se para o oeste da Irlanda com a família, produzindo Allumette (1974), releitura de Cinderela, e The Three Little Pigs – The True Story (1978). Nos anos 1980 e 1990, continuou com autobiografias como Tomi Ungerer: A la fortune du pot (1985) e Far Out Isn't Far Enough (1985). Dirigiu curtas como Horrible (1965) e The Lip (1967). Em 1998, ganhou o Andersen. Nos 2000, publicou Otto (1999), sobre um rinoceronte de circo na Primeira Guerra, banido na Alemanha por suposto nazismo (reabilitado em 2012).

Sua produção total inclui 40 livros infantis, 30 para adultos, posters anti-guerra e design gráfico, como o logo da Exposição Universal de 1967 em Montreal.

Vida Pessoal e Conflitos

Ungerer casou-se duas vezes. Primeira esposa: Yvonne Wright, americana, com quem teve dois filhos, Pablo e Lola, nos anos 1960. Divorciou-se em 1970. Em 1976, casou-se com Jeanette "Jetty" Loffler, com quem teve um filho, Noah, e adotou uma filha, Cléo. Viveu em West Cork, Irlanda, por 20 anos, restaurando uma casa do século XVIII. Em 1993, mudou-se para o Canadá, voltando à Alsácia em 2001.

Conflitos marcaram sua vida. A Alsácia bilíngue gerou identidade dividida: alsaciano, francês e alemão. Polêmicas incluíram banimentos nos EUA por erotismo e o caso Otto na Alemanha, onde foi acusado de glorificar nazistas (ele retratava o animal como vítima). Críticos o tacharam de misógino e provocador. Ungerer defendia a liberdade artística: "Eu desenho o que vejo, não o que é politicamente correto". Saúde debilitada nos últimos anos; fumante convicto, sofreu derrame em 2001. Doou 6 mil desenhos ao museu em Estrasburgo.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Até 2019, seu museu em Estrasburgo atraiu milhares, expondo originais. Obras foram traduzidas para 30 idiomas. Em 2020, a Irlanda ergueu estátua em Co Cork. Até 2026, retrospectivas ocorreram em Paris (Bibliothèque nationale, 2022) e Nova York. Otto inspirou debates sobre cancelamento cultural. Sua influência aparece em ilustradores como Maurice Sendak e em animações modernas. Ungerer permanece referência na tensão entre infância e adultidade, sátira e inocência. O Museu Tomi Ungerer preserva seu arquivo, garantindo acesso público.

Pensamentos de Tomi Ungerer

Algumas das citações mais marcantes do autor.