Introdução
Thomas Paine nasceu em 29 de janeiro de 1737, em Thetford, Norfolk, Inglaterra, e faleceu em 8 de junho de 1809, em Nova York, Estados Unidos. Filósofo político e escritor, ele se tornou uma figura central nas revoluções americana e francesa. Seus panfletos, como Common Sense e The Rights of Man, venderam milhões de cópias e popularizaram ideias iluministas de soberania popular, direitos humanos e república.
Paine defendia a razão contra a tradição, a monarquia e o clero. Sem educação formal extensa, ele ascendeu por meio de textos acessíveis e diretos. Sua influência transcendeu fronteiras: nos EUA, acelerou a independência; na França, inspirou jacobinos; globalmente, alimentou movimentos liberais. Apesar de aclamação inicial, enfrentou ostracismo por críticas à religião. Até 2026, Paine permanece ícone de radicalismo democrático, citado em debates sobre desigualdade e secularismo. Sua vida exemplifica o intelectual errante do Iluminismo.
Origens e Formação
Paine cresceu em uma família modesta. Seu pai, Joseph Paine, era quaker e fabricante de espartilhos. A mãe, Frances Cocke, veio de origem anglicana. Os quakers influenciaram sua visão igualitária e pacífica inicial, mas Paine rejeitou o quietismo deles mais tarde.
Educação limitada à escola local até os 13 anos. Aprendeu latim básico e matemática, mas abandonou estudos para trabalhar com o pai. Aos 16, fugiu para o mar como marinheiro na embarcação Cousin Betsey, viajando à América e retornando após meses. Essa experiência expôs-no a ideias cosmopolitas.
De volta à Inglaterra, fabricou espartilhos e atuou como oficial de impostos (excise officer) em Thetford e Lewes. Campanhou por salários melhores para colegas, o que levou à demissão em 1774. Casou-se duas vezes cedo: com Mary Lambert (morta no parto) e Elizabeth Ollive (divórcio em 1774). Esses fracassos pessoais o motivaram a emigrar.
Benjamin Franklin, em Londres, deu-lhe carta de recomendação. Paine partiu para Filadélfia em 1774, chegando aos 37 anos, pronto para reinventar-se.
Trajetória e Principais Contribuições
Em América, Paine editou a Pennsylvania Magazine e escreveu Common Sense (janeiro de 1776). Vendido em 120 mil cópias em meses, argumentava pela independência total da Grã-Bretanha. Rejeitava monarquia como "besteira" hereditária e promovia república soberana pelo povo. George Washington leu-o ao exército em Valley Forge, virando o ânimo.
Durante a Guerra de Independência (1775-1783), Paine serviu como voluntário no exército continental. Escreveu The American Crisis (1776-1783), série de 13 panfletos. A frase inicial do primeiro – "Estes são tempos que experimentam a alma dos homens" – inspirou soldados. Congresso concedeu-lhe pensão de US$ 500 anuais.
Pós-guerra, Paine inventou pontes de ferro e viajou à França em 1787. Ali, testemunhou a Revolução Francesa. Em 1791, publicou Rights of Man, resposta a Reflexões sobre a Revolução na França de Edmund Burke. Defendia direitos naturais, welfare state e revolução como correção de abusos. Vendendo 200 mil cópias no primeiro ano, tornou-se best-seller europeu.
Em 1792, França declarou-o cidadão honorário e elegeu-o deputado pela Pas-de-Calais na Convenção Nacional. Votou contra execução de Luís XVI, mas defendeu república. Preso de dezembro de 1793 a novembro de 1794 durante o Reinado do Terror, sob acusação de moderantismo. James Monroe, embaixador dos EUA, libertou-o.
Na prisão, escreveu The Age of Reason (1794-1795), Parts I e II. Deísta convicto, elogiava Jesus como moralista, mas atacava Bíblia como mitos e clero como fraude. Vendido em meio milhão de cópias, provocou backlash religioso. Paine retornou aos EUA em 1802, convidado por Thomas Jefferson.
Vida Pessoal e Conflitos
Paine viveu relações tumultuadas. Na Inglaterra, os casamentos falharam por pobreza e incompatibilidades. Nos EUA, não se casou novamente, mas formou laços com elites como Jefferson e Washington inicialmente. Bebia muito no fim da vida, o que afetou sua reputação.
Conflitos abundaram. Acusado de plágio em Common Sense (baseado em ideias de outros iluministas). Na França, traição por voto pró-Luís XVI. Age of Reason gerou fúria: clérigos chamaram-no ateu (ele negava, afirmando crença em Deus). Nos EUA pós-1800, federalistas e cristãos o difamaram; só 6 compareceram ao funeral.
Pobreza marcou o ocaso. Pensão cortada pelo Congresso em 1785 (restaurada depois). Viveu em Nova Rochelle, Nova York, isolado. Acusações de imoralidade e alcoolismo persistiram, embora exageradas.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Paine moldou repúblicas modernas. Common Sense inspirou Declaração de Independência. Rights of Man influenciou constituições liberais e sufrágio. Seus escritos prefiguraram socialismo utópico e secularismo.
No século XIX, chartistas britânicos e abolicionistas o citaram. Abraham Lincoln admirava-o. No XX, figuras como FDR e MLK ecoaram suas ideias de direitos universais. Até 2026, edições críticas de obras completas saem regularmente. Movimentos como Occupy Wall Street e Black Lives Matter invocam-no contra elites.
Críticas persistem: visto como utópico ou jacobino violento por conservadores. Enterrado inicialmente sem marca, ossos exumados por William Cobbett em 1819 (perdidos). Monumento erigido em 1909, Thetford. Em 2023, estátua em Nova Rochelle restaurada. Paine simboliza dissidência racional contra autoridade.
