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Thomas Hobbes

Thomas Hobbes

Biografia Completa

Introdução

Thomas Hobbes, nascido em 5 de abril de 1588 e falecido em 4 de dezembro de 1670, destaca-se como um dos fundadores da filosofia política moderna. Inglês de origem humilde, ele se tornou filósofo materialista, teórico político e matemático. Sua obra principal, Leviatã (1651), propõe um contrato social para superar o caos do estado de natureza, justificando um soberano absoluto. Do Cidadão (1642), ou De Cive, antecipa esses temas.

Hobbes viveu em tempos turbulentos: a Guerra Civil Inglesa (1642-1651) e a Revolução Puritana moldaram suas ideias sobre poder e obediência. Educado em Oxford e tutor dos Cavendish, viajou pela Europa, conhecendo Galileo, Mersenne e Descartes. Sua visão mecanicista do universo – homem como máquina – chocou contemporâneos, rendendo acusações de ateísmo. Até 2026, seu legado persiste em debates sobre Estado, direitos e autoridade, influenciando Locke, Rousseau e teóricos liberais. (178 palavras)

Origens e Formação

Hobbes nasceu em Westport, perto de Malmesbury, Wiltshire, Inglaterra. Sua mãe deu à luz prematuramente em 5 de abril de 1588, supostamente por pânico com a aproximação da Armada Espanhola – "Meu filho nasceu covarde", diria ela, segundo relatos familiares. Filho de um clérigo pobre e instável, Hobbes cresceu em condições modestas. Seu tio, mercador próspero, financiou sua educação.

Aos 15 anos, entrou no Magdalen Hall, Oxford (1603). Formou-se em artes em 1608, mas criticou o currículo escolástico como "teias de aranha aristotélicas". Preferia os clássicos e Euclides. Em 1608, tornou-se tutor de William Cavendish, futuro 2º Duque de Devonshire. Essa posição o inseriu na elite: viajou pela Europa (1610-1611, 1626-1629, 1634-1637), visitando França, Itália e Veneza.

Contactou Galileo em Florença (1636), cujas ideias astronômicas reforçaram seu mecanicismo. Encontrou Mersenne em Paris, centro intelectual, e leu Descartes, com quem polemizou. De volta à Inglaterra, sucedeu como secretário e tutor dos filhos Cavendish, acessando bibliotecas vastas. Esses anos formaram sua rejeição ao aristotelismo e adesão ao corpuscularismo: tudo é matéria em movimento. (212 palavras)

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Hobbes divide-se em fases: pré-guerra, exílio e maturidade. Em 1628, traduziu Thucydides para inglês, alertando contra democracia ateniense – lição para a Inglaterra pré-revolucionária. The Elements of Law (1640), manuscrito privado, esboça psicologia materialista e política: paixões humanas levam à guerra sem soberano.

Exilado na França (1640-1651) pela Guerra Civil, publicou De Cive (1642), detalhando contrato social: indivíduos cedem direitos a um soberano irrevogável para paz. Em 1651, Leviatã expandiu isso: estado de natureza é "solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta"; Leviatã, o Estado artificial, impõe ordem. Divide soberania em legislativa, judiciária e executiva, unidas no monarca. Critica Igreja e papado como potências rivais.

Pós-Restauração (1660), completou a trilogia filosófica: De Corpore (1655, corpo e movimento), De Homine (1658, homem e percepção). Contribuições matemáticas incluem óptica (A Minute or First Lines of Optics, 1644) e geometria analítica, resolvendo problemas de Cavalieri. Defendeu o cálculo contra Wallis. Behemoth (escrito 1668, publicado 1682) analisa a Guerra Civil como falha moral.

Suas ideias centrais: materialismo (mente como cérebro em movimento), egoísmo racional e absolutismo como mal menor. (238 palavras)

Vida Pessoal e Conflitos

Hobbes permaneceu solteiro, vivendo com os Cavendish em Hardwick Hall nos últimos anos. Tinha saúde frágil – medo da peste o fez fugir para Paris em 1640. Acusado de ateísmo por negar livre-arbítrio e imortalidade da alma, enfrentou censura: Oxford queimou Leviatã em 1683, póstumamente. Durante o Commonwealth (1649-1660), recusou juramento a Cromwell, temendo represálias.

Polêmicas abundaram: Descartes o chamou de "louco"; clérigos anglicanos o atacaram por erastianismo (Estado acima da Igreja). Na França, recusou cidadania para evitar serviço militar aos 70 anos. Escreveu objeções a Meditações de Descartes (1641). Aos 91, compôs versos latinos e dançava diariamente para longevidade – morreu de pneumonia em 1670, aos 82 (gregoriano). Enterrado em Hault Hucknall. Sem herdeiros diretos, legou bens aos Cavendish. (168 palavras)

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Hobbes inaugurou o contratualismo moderno, contrastando com liberais como Locke. Leviatã vende milhões, traduzido globalmente. Influenciou Rawls, Nozick e realistas internacionais (estado de natureza como anarquia global). Até 2026, debates sobre pandemias (Covid-19 como Leviatã estatal), populismo e soberania citam-no: ex., Brexit evocou absolutismo vs. parlamentarismo.

Filósofos como Strauss o viram como secularizador; feministas criticam egoísmo masculino. Edições críticas (como Oxford 2010) e biografias (Martinich, 1999) consolidam sua estatura. Em ciência política, explica ditaduras como "mal necessário". Matemática: pioneiro em probabilidade. Até fevereiro 2026, sem eventos novos, seu pensamento permanece vital em crises de autoridade, de Ucrânia a IA ética. (148 palavras)

Pensamentos de Thomas Hobbes

Algumas das citações mais marcantes do autor.