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Soren Kierkergaard

Soren Kierkergaard

Biografia Completa

Introdução

Søren Aabye Kierkegaard nasceu em 5 de maio de 1813, em Copenhague, Dinamarca. Filho de um próspero comerciante, cresceu em ambiente religioso calvinista. Morreu em 11 de novembro de 1855, aos 42 anos, vítima de problemas na coluna vertebral e possível tuberculose.

Filósofo, teólogo e escritor prolífico, Kierkegaard publicou mais de 20 obras principais. Usou pseudônimos como Johannes Climacus e Anti-Climacus para explorar perspectivas múltiplas. Criticou o sistema hegeliano por ignorar o indivíduo subjetivo. Defendeu a fé como "salto" irracional, oposto à razão sistemática.

Sua relevância persiste como "pai do existencialismo". Influenciou pensadores como Jean-Paul Sartre, Martin Heidegger e teólogos como Karl Barth. Enfatizou a angústia existencial e a responsabilidade individual perante escolhas eternas. Obras como Temor e Tremor (1843) e O Conceito de Angústia (1844) definem sua abordagem indireta e provocativa. Até 2026, edições críticas e estudos confirmam seu impacto global.

Origens e Formação

Kierkegaard veio de família abastada. Seu pai, Michael Pedersen Kierkegaard, enriqueceu no comércio de lã e viveu atormentado por maldição imaginária: amaldiçoara Deus na juventude, prevendo morte prematura dos filhos. Dois irmãos morreram jovens; Søren internalizou essa culpa religiosa.

Educado em casa até os 12 anos, ingressou no colégio de Elsinore em 1821. Demonstrou precocidade intelectual, mas saúde frágil. Em 1830, matriculou-se na Universidade de Copenhague para estudar filosofia e direito. Mudou para teologia em 1833, influenciado pelo pai.

Formou-se em teologia em 1840 com tese sobre ironia em Sócrates. Leu vorazmente Hegel, Schelling e Schleiermacher. A morte do pai em 1838 marcou-o profundamente. Anotou em diários reflexões sobre melancolia herdada. Viajou para Berlim em 1841-1843, assistindo aulas de Schelling. Essas experiências moldaram sua rejeição ao idealismo alemão.

Trajetória e Principais Contribuições

Kierkegaard iniciou publicações em 1841 com Da Atualidade de um Casamento. Ganhou notoriedade com Ou Isto ou Aquilo (1843), sob pseudônimo Victor Eremita. Obra compara vida estética (prazer hedonista) e ética (dever). Introduz o "cavaleiro da fé".

Em 1843, lançou Temor e Tremor, como Johannes de Silentio. Analisa Abraão sacrificando Isaque, defendendo fé paradoxal acima da ética universal. Repetição, de Constantin Constantius, explora casamento versus paixão.

1844 trouxe Tratado sobre o Desespero (póstumo, como Anti-Climacus) e O Conceito de Angústia, de Vigilius Haufniensis. Define angústia como vertigem da liberdade, pré-condição do pecado. Criticou Hegel por abstrair o concreto existencial.

Em Estágios no Caminho da Vida (1845), delineia estágios: estético, ético e religioso. Pós-Escrito Não Científico e Definitivo (1846), como Johannes Climacus, ataca especulação hegeliana. Afirma "verdade é subjetividade".

A partir de 1847, intensificou críticas à Igreja Dinamarquesa. O Livro do Juiz (1847) ataca conformismo cristão nominal. Em 1854-1855, publicou O Momento, panfletos atacando bispo Mynster como "mentiroso". Gastou herança em edições baratas para disseminar ideias.

Outras obras: Exercício do Cristianismo (1848), sobre sofrimento cristão; A Doença Mortal (1849), sobre desespero. Produziu cerca de 10 volumes em 14 anos, totalizando milhares de páginas.

Vida Pessoal e Conflitos

Kierkegaard sofreu melancolia crônica, agravada por "espinho na carne" – possivelmente doença física. Em maio de 1840, noivou-se com Regine Olsen, 18 anos. Rompeu em outubro de 1841, convencido de que seu chamado filosófico impedia casamento. Regine casou-se com outro em 1847.

Esse episódio inspirou obras como Diário de um Sedutor (em Ou Isto ou Aquilo) e Repetição. Kierkegaard via ruptura como sacrifício abrahâmico. Escreveu cartas póstumas a Regine.

Conflitos intelectuais marcaram-no. Rompeu com amigo Hans Lassen Martensen, hegeliano e sucessor de Mynster. Isolou-se socialmente, ridicularizado como excêntrico. Ataques à Igreja provocaram reações: jornais o chamaram de louco.

Saúde deteriorou em 1855. Desmaiou na rua em outubro; internado, recusou sacramentos oficiais. Morreu murmurando contra Igreja estabelecida. Enterrado em família, com poucos presentes – Regine ausente.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Kierkegaard permaneceu obscuro até 1870, quando escandinavos redescobriram-no. Edições completas em 1901-1906 (Samlede Værker) popularizaram obras. Traduções alemãs nos anos 1910 influenciaram Barth e Buber.

Existencialistas seculares adaptaram-no: Heidegger em Ser e Tempo (1927) cita angústia; Sartre em O Ser e o Nada (1943) ignora fé, mas usa subjetividade. Camus e Tillich também bebem dele.

Na teologia, inspira dialética da fé (Bonhoeffer). Pós-modernismo valoriza pseudônimos e ironia contra totalizações. Até 2026, Princeton edições críticas (1991-2017) e livros como Kierkegaard: A Biography de Alastair Hannay (2001) consolidam análise.

Conferências anuais em St. Olaf College persistem. Temas como autenticidade e crise de fé ressoam em debates sobre secularismo. Netflix e podcasts citam-no em 2020s. Influência abrange psicologia (Viktor Frankl) e literatura (Dostoiévski pós-ressurgiu via paralelos).

Pensamentos de Soren Kierkergaard

Algumas das citações mais marcantes do autor.