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Soren Kierkegaard

Soren Kierkegaard

Biografia Completa

Introdução

Søren Aabye Kierkegaard nasceu em 5 de maio de 1813, em Copenhague, Dinamarca, e faleceu em 11 de novembro de 1855, na mesma cidade. Filósofo e teólogo, ele é amplamente reconhecido como precursor do existencialismo. Suas ideias centrais giram em torno da angústia existencial, do "salto da fé" e da crítica à cristandade institucionalizada.

Kierkegaard escreveu mais de 20 obras principais, muitas sob pseudônimos como Johannes Climacus e Anti-Climacus, para apresentar perspectivas múltiplas. Ele rejeitava sistemas filosóficos abstratos, como o hegelianismo dominante na época, priorizando a subjetividade individual. De acordo com fatos consolidados, sua produção intelectual ocorreu em um período curto, entre 1843 e 1855, marcado por isolamento e conflito pessoal. Sua relevância persiste na filosofia continental, teologia e psicologia até 2026.

Origens e Formação

Kierkegaard veio de uma família abastada. Seu pai, Michael Pedersen Kierkegaard, era um próspero comerciante de lã que se tornou profundamente religioso após uma crise espiritual. Michael acreditava que sua família sofria uma maldição por blasfêmias passadas, o que influenciou o filho. Søren era o menor de sete irmãos, dos quais cinco morreram jovens, reforçando um senso de melancolia familiar.

Em 1830, aos 17 anos, ele ingressou na Universidade de Copenhague para estudar filosofia e teologia. Inicialmente disperso, frequentava cafés e acumulava dívidas. A morte do pai em 1838 o transformou: Kierkegaard mergulhou nos estudos bíblicos e patrísticos. Em 1840, defendeu sua tese de mestrado, O Conceito de Ironia, analisando Sócrates.

Ele viajou para Berlim em 1841-1843, onde ouviu Schelling, mas rejeitou o idealismo alemão. Esses anos formativos moldaram sua visão anti-sistemática: a verdade é subjetiva, não objetiva. Não há menção a influências formais além do pai e da teologia luterana dinamarquesa.

Trajetória e Principais Contribuições

A produção de Kierkegaard explodiu em 1843. Publicou Ou Isto ou Aquilo, em dois volumes, sob pseudônimo de Victor Eremita. A obra contrasta o estético (Don Juan, Mozart) com o ético, introduzindo os "estágios da vida": estético, ético e religioso.

No mesmo ano, saiu Temor e Tremor, sob Johannes de Silentio. Examina Abraão e o sacrifício de Isaac como "cavaleiro da fé", ilustrando o paradoxo da crença além da razão ética. Essa ideia centraliza o "salto da fé" contra a universalidade hegeliana.

Em 1844, vieram Tratado sobre o Desespero (não, corrigindo: O Conceito de Angústia, sob Vigilius Haufniensis), definindo angústia como vertigem da liberdade. Filosofemas Préliminares à Filosofia do Ato critica Lessing.

1846 trouxe Pós-Escrito Não Científico e Definitivo às Migalhas Filosóficas, sob Johannes Climacus. Afirma: "A subjetividade é a verdade". Rejeita prova objetiva da fé.

Em 1847-1848, Obras de Amor explora o amor cristão ágape contra eros. A Revolução de 1848 na Dinamarca o inspirou a observar massas.

De 1849-1851, Anti-Climacus publicou A Doença para a Morte (desespero como pecado contra si mesmo) e Exercício do Cristianismo, criticando o "cristianismo de estabelecimento".

Em 1854-1855, Kierkegaard atacou publicamente a Igreja Dinamarquesa via panfletos em O Instante, chamando bispo Mynster de "mentiroso". Essa "grande guerra final" esgotou sua saúde. Suas contribuições enfatizam:

  • Estágios existenciais: Estético (prazer imediato), ético (dever), religioso (fé paradoxal).
  • Dialética subjetiva: Verdade como paixão apropriada.
  • Crítica à especulação: Contra Hegel, filosofia deve ser existencial.

Ele publicou cerca de 40 volumes póstumos, editados por Peter Christian Kierkegaard.

Vida Pessoal e Conflitos

Kierkegaard sofreu de epilepsia e dores crônicas, agravadas por uma possível doença da coluna. Fisicamente frágil, media 1,50m e era chamado de "ganso de Copenhague".

Em 1840, noivou Regine Olsen, 18 anos. Após 11 meses, rompeu o noivado em 1841, alegando incompatibilidade espiritual. Regine casou-se depois com outro, mas Kierkegaard a idealizou como "mulher da sua vida". Essa ruptura inspirou obras como Diário de um Sedutor em Ou Isto ou Aquilo.

Ele viveu isolado, com poucos amigos como o filósofo Hans Lassen Martensen. Conflitos incluíam o rompimento com o irmão Peter e críticas públicas. A Igreja o ignorou em vida; após a morte de Mynster em 1854, Kierkegaard o denunciou como falsário.

Sua melancolia, que chamava de "influência do pai", permeou sua vida. Recusou cátedra universitária para preservar independência. Morreu após colapso na rua, possivelmente de exaustão ou ataque. Enterrado no cemitério de Assistens, Copenhague.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Kierkegaard foi redescoberto nos anos 1930 via teólogos como Karl Barth e Emil Brunner. Influenciou existencialistas: Jean-Paul Sartre creditou-lhe o termo "existencialismo"; Martin Heidegger ecoou angústia e autenticidade; Albert Camus dialogou com absurdo.

Na teologia, impactou Karl Rahner e Paul Tillich. Na psicologia, seu desespero inspira psicanálise existencial (Viktor Frankl, Rollo May). Até 2026, edições críticas dinamarquesas (Søren Kierkegaard Research Centre) publicam obras integrais. Conferências anuais em St. Olaf College e Oxford mantêm viva sua herança.

Críticas persistem: acusado de individualismo excessivo e misógino por visões sobre mulheres. Ainda assim, sua ênfase na responsabilidade pessoal ressoa em bioética, terapia cognitivo-existencial e debates sobre secularismo. Obras traduzidas em dezenas de idiomas confirmam status como pensador seminal.

Pensamentos de Soren Kierkegaard

Algumas das citações mais marcantes do autor.