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Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir

Biografia Completa

Introdução

Simone de Beauvoir nasceu em 9 de janeiro de 1908, em Paris, França. Morreu em 14 de abril de 1986, na mesma cidade. Escritora, filósofa, ensaísta e feminista, ela integrou o núcleo do existencialismo francês pós-Segunda Guerra Mundial. Seu livro O Segundo Sexo, publicado em 1949 em dois volumes, estabeleceu-a como pioneira do feminismo moderno. A obra argumenta que "não se nasce mulher, torna-se mulher", destacando a mulher como o "outro" em relação ao homem.

De Beauvoir colaborou estreitamente com Jean-Paul Sartre, com quem manteve um relacionamento vitalício aberto. Juntos, frequentaram cafés como o Café de Flore, epicentro intelectual parisiense. Suas ideias enfatizam a liberdade humana, a má-fé e a autenticidade em um universo absurdo. Reconhecida como uma das pensadoras mais influentes do século XX, suas obras somam milhões de exemplares vendidos globalmente. Até 2026, O Segundo Sexo permanece referência em estudos de gênero.

Origens e Formação

De Beauvoir cresceu em uma família burguesa católica conservadora. Seu pai, Georges Bertrand de Beauvoir, era advogado. Sua mãe, Françoise de Beauvoir (nascida Brasseur), dedicava-se ao lar e à religião. A família residia no 6º arrondissement de Paris. Simone recebeu educação inicial em escolas católicas rigorosas, como o Cours Désir, entre 1913 e 1925. Lá, destacou-se academicamente, apesar de questionar cedo a fé imposta.

Em 1926, ingressou no Institut Catholique de Paris, mas transferiu-se para a Sorbonne em 1927. Estudou filosofia, literatura e matemática. Enfrentou dificuldades financeiras após a ruína paterna na crise de 1929. Ganhou bolsas e lecionou para se sustentar. Em 1929, aprovou o agrégation de filosofia na Sorbonne, classificando-se em segundo lugar – atrás apenas de Sartre. Esse exame nacional a qualificou como professora de liceu.

Influências iniciais incluíram Bergson, Hegel e Kierkegaard. Ela absorveu o racionalismo cartesiano francês, mas inclinou-se ao existencialismo. Seus primeiros escritos datam da juventude, como diários pessoais preservados. A formação laica da Sorbonne rompeu com sua educação religiosa, moldando sua visão ateísta e humanista.

Trajetória e Principais Contribuições

De Beauvoir lecionou filosofia em liceus femininos de 1929 a 1943, em cidades como Rouen, Marseille e Paris. Renunciou ao magistério estável para dedicar-se à escrita, sustentada por Sartre. Seu romance de estreia, O Convite (L'Invitée, 1943), explora ciúmes em um triângulo amoroso, inspirado em sua vida. Seguiram-se ensaios como Pyrrhus et Cinéas (1944), que discute reciprocidade ética, e Pour une morale de l'ambiguïté (1947), base para o existencialismo moral.

O marco maior veio com O Segundo Sexo (1949). Em quase 1.000 páginas, analisa história, biologia, psicanálise e literatura para desmontar mitos sobre a feminilidade. Vendido em 22.000 exemplares na França em uma semana, foi banido no Vaticano e censurado em países católicos. Ganhou o Prix Goncourt em 1954 com Os Mandarins, romance sobre intelectuais pós-guerra, semi-autobiográfico.

Publicou memórias em série: Memórias de uma Moça Bem-Comportada (1958), A Força da Idade (1960), A Força das Coisas (1963), Tudo Andando (1979) e A Cerimônia do Adeus (1981), sobre a morte de Sartre em 1980. Ensaísticamente, defendeu o aborto em O Envelhecimento (1970) e ativou politicamente. Fundou o grupo Choisir em 1971 para legalizar o aborto na França, conquistado em 1975.

Outras contribuições incluem A Longa Caminhada da Mulher (1960), sobre viagens à EUA e Brasil, e críticas ao colonialismo em Djamila Boupacha (1962), coescrito com Gisèle Halimi. Sua prosa mescla fenomenologia e engajamento sartreano. Até 1986, produziu cerca de 20 livros principais.

Vida Pessoal e Confligos

De Beauvoir manteve pacto vitalício com Sartre desde 1929, sem casamento formal nem filhos. O acordo permitia relações paralelas, como com o escritor Jacques-Laurent Bost e a aluna Bianca Lamblin nos anos 1930. Essa ética da liberdade gerou tensões, retratadas em suas memórias. Adotou uma postura bissexual, com relacionamentos como o de 1936-1947 com Lamblin.

Enfrentou críticas por apoiar inicialmente o stalinismo nos anos 1950, mas rompeu com o comunismo após a invasão da Hungria em 1956. Polêmicas surgiram com O Segundo Sexo, acusado de misandria por alguns e de superficialidade por marxistas. Na velhice, sofreu de pneumonia crônica e cegueira parcial. Sartre, cego nos últimos anos, dependeu dela. Após sua morte em 1980, De Beauvoir organizou o funeral laico no Pere-Lachaise.

Conflitos pessoais incluíram acusações de abusos com alunas nos anos 1930, investigadas em 1943, das quais foi absolvida. Sua independência financeira veio tarde, via prêmios literários. Viveu modestamente no Saint-Germain-des-Prés até o fim.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

De Beauvoir influenciou o feminismo da segunda onda, inspirando Betty Friedan e Kate Millett. O Segundo Sexo foi traduzido para 40 idiomas e reeditado continuamente. Em 2026, edições críticas analisam seu racismo implícito em passagens sobre África. Seu existencialismo feminista moldou debates sobre gênero fluido e interseccionalidade.

Enterrada ao lado de Sartre no Cemitério de Montparnasse, sua sepultura atrai visitantes. Prêmios póstumos incluem a Biblioteca Nacional da França dedicando acervo em 2018. Até 2026, universidades globais oferecem cursos sobre sua obra. Movimentos #MeToo citam-na explicitamente. Sua frase "Não se nasce mulher" permanece slogan em protestos. O legado persiste em filosofia, literatura e ativismo, com biografias como a de Deirdre Bair (1990) consolidando sua imagem.

Pensamentos de Simone de Beauvoir

Algumas das citações mais marcantes do autor.