Introdução
São Mateus é uma figura central no Novo Testamento, identificado como um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Conhecido também como Levi, ele atuava como cobrador de impostos em Cafarnaum, na Galileia, durante o ministério público de Jesus. A narrativa bíblica relata seu chamado direto por Jesus, marcando uma transformação de publicano – profissão mal vista pelos judeus da época – para discípulo fiel.
Tradicionalmente, atribui-se a ele a autoria do Evangelho segundo Mateus, escrito em aramaico ou grego para uma audiência judaico-cristã, enfatizando Jesus como o Messias prometido nas Escrituras hebraicas. Esse texto, datado do final do século I, forma a base de sua relevância histórica e teológica. Sua vida posterior é conhecida principalmente por tradições da Igreja primitiva, que o descrevem pregando na Judeia, Pártia e Etiópia. A Igreja Católica o venera como santo, com festa em 21 de setembro. Sua importância reside na ponte entre o judaísmo e o cristianismo nascente, documentada em fontes como os Evangelhos e escritos patrísticos. Não há registros contemporâneos fora da Bíblia, mas o consenso histórico cristão o posiciona como testemunha ocular dos eventos de Jesus. (178 palavras)
Origens e Formação
A Bíblia fornece os detalhes iniciais sobre São Mateus. No Evangelho segundo Mateus (9:9), ele é chamado Levi, filho de Alfeu, enquanto coletava impostos na praça de pedágio em Cafarnaum, às margens do mar da Galileia. Jesus passa e diz: "Segue-me". Mateus levanta-se imediatamente e o segue.
O paralelo em Marcos (2:14) e Lucas (5:27) confirma Levi como publicano, profissão associada a colaboração com os romanos e extorsão, o que tornava os publicanos impuros aos olhos dos fariseus. Não há menção explícita a sua infância, educação formal ou família além do pai Alfeu – possivelmente o mesmo do apóstolo Tiago, o Menor, mas isso permanece especulativo.
A tradição patrística, como Eusébio de Cesareia em "História Eclesiástica", sugere que Mateus era judeu da Galileia, fluente em aramaico e hebraico, com conhecimento das Escrituras. Sua formação como escriba ou contador é inferida do ofício de impostos, mas não documentada. Após o chamado, ele integra o círculo dos doze apóstolos, listado em Mateus 10:3, Marcos 3:18, Lucas 6:15 e Atos 1:13. Não há relatos de influências iniciais específicas fora do contexto judaico helenizado da Galileia no século I. (212 palavras)
Trajetória e Principais Contribuições
A trajetória de São Mateus divide-se em fases: discipulado com Jesus, testemunha da ressurreição e missão evangelizadora. Durante o ministério de Jesus, ele participa dos milagres e ensinamentos, como a ceia em sua casa (Mateus 9:10-13; Marcos 2:15; Lucas 5:29), onde convida publicanos e pecadores, provocando críticas farisaicas.
Após a ressurreição, os apóstolos recebem a missão de pregar (Mateus 28:16-20). A tradição atribui a Mateus a redação do Evangelho homônimo, o mais antigo dos sinóticos, com cerca de 90 capítulos enfatizando genealogia davídica de Jesus (Mateus 1), Sermão da Montanha (capítulos 5-7) e parábolas do Reino. Papias de Hierápolis (século II), citado por Eusébio, afirma que Mateus compilou os ditos de Jesus em hebraico, depois traduzido. Ireneu de Lião (século II) confirma sua autoria.
Ireneu relata que Mateus pregou aos judeus antes de partir para outras terras. Orígenes e Eusébio mencionam evangelização na Pártia (atual Irã) e Etiópia. A "Paixão de Mateus", apócrifa do século IV, descreve seu martírio na Etiópia por ordem do rei Hirtaco, mas carece de confirmação histórica. Clementina de Alexandria e outros patrísticos o ligam à Igreja primitiva na Judeia.
Principais marcos:
- Chamado em Cafarnaum (c. 27-30 d.C.).
- Inclusão nos Doze (Mateus 10).
- Composição do Evangelho (c. 70-90 d.C.).
- Pregação no Oriente (tradição).
Sua contribuição reside na preservação oral e escrita dos ensinamentos de Jesus para judeus helenizados. (298 palavras)
Vida Pessoal e Conflitos
Detalhes pessoais são escassos. Como publicano, Mateus enfrentava ostracismo social: fariseus criticavam Jesus por comer com ele (Mateus 9:11). Seu banquete em casa simboliza inclusão de marginalizados, mas atraiu controvérsias. Não há menções a esposa, filhos ou bens abandonados além do implícito no chamado.
Conflitos incluem tensão com autoridades judaicas durante o ministério de Jesus. Após Pentecostes (Atos 2), os apóstolos enfrentam perseguições, mas Mateus não é especificado individualmente. Tradições posteriores narram oposições em missões: na Etiópia, segundo textos apócrifos, converte a rainha e enfrenta o rei pagão, sofrendo lapidação ou incineração – relatos não consensuais.
Eusébio nota divergências: alguns o colocam na Pártia, outros na Etiópia. Não há evidências de disputas doutrinais pessoais. Sua vida reflete obediência apostólica, sem relatos de falhas como as de Pedro. A ausência de detalhes reflete o foco neotestamentário em Jesus, não em biografias individuais. Críticas modernas questionam a autoria mateana do Evangelho, atribuindo-o a uma comunidade pós-70 d.C., mas tradição patrística mantém a atribuição. (218 palavras)
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de São Mateus centra-se no Evangelho, lido semanalmente na liturgia católica e usado em estudos bíblicos protestantes e ortodoxos. Influencia teologia da encarnação e Reino de Deus. Sua iconografia – anjo como símbolo, com livro ou machado – aparece em arte renascentista, como Caravaggio (1602).
Como patrono de banqueiros, contadores e Itália (devido a relíquias em Salerno), inspira guildas medievais. Em 2026, permanece na memória cristã global: 1,3 bilhão de católicos celebram sua festa em 21 de setembro. Documentos como o Catecismo da Igreja Católica (1992) o citam como modelo de conversão.
Liturgias e devoções persistem na África (ligada à Etiópia) e Oriente Médio. Estudos acadêmicos, como os de Raymond Brown, debatem sua autoria mas afirmam importância histórica. Em 2025, edições críticas do Evangelho mateano continuam centenárias tradições exegéticas. Sua relevância reside na acessibilidade do Evangelho a judeus, moldando o cânon neotestamentário aprovado em concílios como Hipona (393) e Cartago (397). Sem projeções, seu impacto perdura em fé, arte e ética financeira cristã. (141 palavras)
