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Santa Clara

Santa Clara

Biografia Completa

Introdução

Santa Clara de Assis, nascida Chiara Offreduccio em 1194, destaca-se na história cristã como cofundadora da Ordem das Clarissas, o segundo ramo da família franciscana. Sua vida exemplifica a radical adesão ao Evangelho, inspirada por São Francisco de Assis. Renunciando a uma existência nobre, Clara dedicou-se à pobreza absoluta, à oração e à liderança espiritual de monjas.

Seus feitos incluem a fundação de mosteiros e a defesa milagrosa de Assis contra invasores. Canonizada logo após sua morte em 1253, ela influenciou a espiritualidade feminina na Igreja Católica. Até 2026, seu legado persiste em milhares de comunidades clarissas e na devoção popular, simbolizando simplicidade e contemplação. Seus quatro cartas e a Regra aprovada por Inocêncio IV em 1253 formam base para a mística franciscana.

Origens e Formação

Clara nasceu por volta de 1194 em Assis, na Umbria italiana, em família nobre. Seu pai, Favorino Scifi, era conde; sua mãe, Ortolana di Fiumi, descendia de nobres. Tiveram duas filhas: Clara e Inês (Agnes). A família possuía castelos e terras.

Desde jovem, Clara demonstrou piedade. Aos 15 anos, recusou propostas de casamento, distribuindo bens aos pobres. A mãe influenciou sua devoção; Ortolana peregrinou a Santiago de Compostela e Jerusalém. Clara frequentava a igreja de San Giorgio em Assis.

Em 1205, aos 12 anos, foi prometida em casamento, mas resistiu. A pregação de São Francisco, iniciado em 1208, a impactou profundamente. Francisco, reformador local, pregava pobreza evangélica. Clara o ouviu em 1212, durante a Quaresma. Esses eventos moldaram sua vocação. Não há registros de educação formal extensa, mas sua família a preparou para liderança nobre.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 18 de março de 1212, Domingo de Ramos, Clara fugiu de casa à noite. No mosteiro beneditino de San Paolo delle Abbadesse, Francisco cortou seu cabelo, vestiu-a com hábito cinzento e a abrigou em San Damiano, ruínas da igreja onde Francisco restaurara o altar em 1205. Ali, Clara iniciou vida eremítica.

Pouco depois, sua irmã Inês juntou-se a ela, resistindo à família que tentou levá-la à força. Outras nobres seguiram: Pacífica, Filipina e outros. Em 1213, o bispo de Assis abençoou o grupo como "Ordem das Damas Pobres". Clara tornou-se superiora vitalícia de San Damiano.

Expandiu a ordem: fundou mosteiros em Perugia (1213), Siena, Pisa e Florença. Em 1215, Papa Inocêncio III aprovou verbalmente a ordem. Clara impôs pobreza estrita: sem propriedades, mendicância, trabalho manual. Escreveu quatro cartas a Agnes de Praga (1234-1253), enfatizando humildade e imitação de Cristo pobre.

Em 1224, durante doença, teve visões estigmatizadas, similar a Francisco. Em 1240, durante invasão de Assis por tropas de Frederico II, Clara, aos 60 anos e doente, levou o ostensório ao muro. Invasores fugiram, atribuído a milagre.

Em 1247, Inocêncio IV permitiu mitigar pobreza em alguns conventos, mas Clara resistiu. Em 1253, dias antes de morrer, obteve bula Quoties Cordis confirmando pobreza perpétua. Sua Regra, primeira escrita por mulher na Igreja, foi aprovada em 9 de agosto de 1253.

Francisco nomeou-a superiora; após morte dele em 1226, Clara aconselhou frades. Contribuições incluem modelo de clausura contemplativa e expansão franciscana feminina para Europa.

Vida Pessoal e Conflitos

Clara viveu 42 anos em San Damiano, em cela simples, com jejuns rigorosos e oração noturna. Sofreu doenças crônicas desde 1226: febres, cegueira parcial. Nunca saiu do mosteiro após 1212.

Família opôs-se inicialmente: pai e tios tentaram resgatá-la à força, mas Inês e milagre (corpo dela pesou como chumbo) os dissuadiram. Mãe Ortolana juntou-se mais tarde. Relações fraternas marcaram: Inês tornou-se superiora em Perugia; sobrinha Amata e Beatriz (filha espiritual) integraram o grupo.

Conflitos com Igreja surgiram pela pobreza radical. Gregório IX (1227-1241) impôs regra beneditina em 1230, mitigando pobreza, mas Clara apelou ao papa. Inocêncio IV vacilou, mas cedeu no fim. Cardeal Rainaldo protegeu-a.

Clara sofreu isolamento, doenças e tentações espirituais, narradas em cartas: "Ó pobreza, minha esposa mais bela". Manteve obediência a Francisco e Igreja, mas defendeu carisma franciscano. Morreu em 11 de agosto de 1253, aos 59 anos, rodeada por irmãs. Funeral em San Giorgio; transladada à Basílica de Santa Clara em 1260.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Canonizada em 15 de setembro de 1255 por Alexandre IV, Clara tornou-se modelo para mulheres religiosas. Ordem das Clarissas expandiu: em 1255, 11 mosteiros; hoje, milhares globalmente.

Papa Pio XII declarou-a padroeira da televisão em 1958, por visão natalina transmitida "em visão" aos olhos. Também padroeira de olhos, bordadeiras, clarissas e contra tentações.

Escritos – cartas e Testamento (1250) – influenciam espiritualidade: ênfase em Espelho da Bem-Aventurada Virgem, contemplação eucarística. Liturgia católica celebra-a em 11 de agosto.

Até 2026, mosteiros clarissos persistem na Europa, Américas e Ásia. Francisco e Clara simbolizam ecumenismo franciscano; em 2013, Papa Francisco invocou-os. Estudos acadêmicos destacam seu papel pioneiro como mulher escritora e líder na Idade Média. Devoção popular inclui novenas e peregrinações a Assis. Seu exemplo de pobreza ressoa em debates sobre simplicidade em tempos de consumismo.

Pensamentos de Santa Clara

Algumas das citações mais marcantes do autor.