Introdução
Samuel Johnson, conhecido como Dr. Johnson, nasceu em 18 de setembro de 1709, em Lichfield, Staffordshire, Inglaterra, e faleceu em 13 de dezembro de 1784, em Londres. Escritor, poeta, ensaísta, biógrafo, crítico literário e lexicógrafo, ele é uma das figuras centrais da literatura inglesa do século XVIII. Seu A Dictionary of the English Language, publicado em 1755, revolucionou o estudo da língua inglesa, oferecendo não apenas definições, mas citações literárias que ilustravam o uso das palavras.
Johnson definiu o neoclassicismo literário britânico com sua ênfase em clareza, moralidade e razão. Obras como os ensaios periódicos The Rambler (1750-1752), o romance filosófico The History of Rasselas, Prince of Abissinia (1759) e as Lives of the Most Eminent English Poets (1779-1781) estabeleceram padrões para crítica e biografia. Sua conversa afiada e presença imponente no The Club, ao lado de Joshua Reynolds e Edmund Burke, o tornaram ícone cultural. A biografia The Life of Samuel Johnson (1791), de James Boswell, preserva sua personalidade vívida, tornando-o um dos mais documentados escritores da história. Seu impacto persiste na formação da identidade linguística e literária inglesa.
Origens e Formação
Johnson nasceu em uma família modesta. Seu pai, Michael Johnson, era livreiro e prefeito de Lichfield; a mãe, Sarah Ford, incentivava a leitura. Contraiu escrofula na infância, tratada sem sucesso pelo rei. Frequentou a Lichfield Grammar School, onde se destacou em latim e grego, traduzindo Metamorfoses de Ovídio aos 14 anos.
Em 1728, ingressou no Pembroke College, Oxford, aos 19 anos, mas abandonou após 18 meses por falta de recursos. Ali, ganhou o apelido "Corsica" por defender Pasquale Paoli. Autodidata voraz, leu amplamente em clássicos e literatura contemporânea. Em 1732, fundou a escola em Market Bosworth, mas a deixou por conflitos com o diretor. Lecionou brevemente em Edial, perto de Lichfield, com poucos alunos, incluindo David Garrick.
Esses anos iniciais moldaram sua resiliência. Publicou seu primeiro poema, "London" (1738), uma imitação satírica de Juvenal, que chamou atenção em Londres, para onde se mudou em 1737 com Garrick.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Johnson decolou em Londres, onde enfrentou pobreza extrema. Trabalhou como escritor fantasma e para Gentleman's Magazine, cobrindo debates parlamentares de forma inventiva. Em 1747, publicou Proposals for the Printing of the English Dictionary, financiado por subscrições. O Dictionary (1755), com 42.773 entradas, levou nove anos e definiu o inglês moderno com humor e precisão – como "oats: na Inglaterra, para cavalos; na Escócia, para gente".
Paralelamente, escreveu The Vanity of Human Wishes (1749), outra imitação de Juvenal, meditando sobre ambição humana. Irene (1749), sua tragédia, estreou no Drury Lane com Garrick. Os 208 ensaios de The Rambler (1750-1752) discutiram moral, literatura e sociedade, influenciando o gênero ensaístico. The Adventurer (1753-1754) seguiu modelo similar.
Em 1759, escreveu Rasselas em uma semana para custear o funeral da mãe, explorando a busca pela felicidade. Editou as obras de Shakespeare em 1765, prefácio célebre que equilibra reverência e crítica. Recebeu pensão real de 300 libras anuais em 1762, estabilizando sua vida. Fundou The Club em 1764. Suas Lives of the Poets (1779-1781), biografias críticas de 52 poetas, inovaram o gênero com análise moral e estética. Contribuiu para The Idler (1758-1760) e viajou às Hébridas em 1773, relatado em A Journey to the Western Islands of Scotland (1775).
- Principais marcos cronológicos:
Ano Obra/Evento 1738 "London" (poema) 1749 The Vanity of Human Wishes, Irene 1750-52 The Rambler 1755 Dictionary 1759 Rasselas 1765 Edição de Shakespeare 1779-81 Lives of the Poets
Vida Pessoal e Conflitos
Johnson casou-se em 1736 com Elizabeth "Tetty" Porter, viúva 20 anos mais velha, em uma união afetuosa apesar de diferenças sociais. Ela faleceu em 1752, devastando-o; Rasselas reflete esse luto. Não teve filhos biológicos, mas adotou enteados problemáticos. Viveu com servos como Francis Barber, libertado da escravidão.
Sua saúde foi frágil: escrofula deixou cicatrizes, sofria de gota, asma, depressão ("melancolia negra") e tiques involuntários, possivelmente síndrome de Tourette. Bebia e comia excessivamente, mas mantinha disciplina intelectual. Financeiramente instável até a pensão, dependia de amigos.
Conflitos incluíram críticas por toryismo conservador e antipatia inicial por escoceses, superada na viagem às Hébridas. Desavenças com rivais literários como Christopher Smart. Sua franqueza gerava anedotas, como debates com Boswell. Recebeu honraria de Oxford em 1775 e enterrado na Abadia de Westminster.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O Dictionary de Johnson influenciou dicionários subsequentes, como o de Noah Webster, e permanece referência cultural. Suas críticas moldaram o cânone inglês, priorizando mérito sobre inovação. Boswell's Life (1791) estabeleceu o modelo biográfico moderno, reeditado inúmeras vezes.
Até 2026, Johnson é estudado em universidades por seu impacto na língua e crítica. Adaptações teatrais, como Boswell for the Defence (1989), e séries como The Club (BBC, 2002) revivem sua era. Citações suas – "Patriotism is the last refuge of a scoundrel" – circulam em debates políticos. No contexto digital, projetos como o Johnson Dictionary Project (Universidade de Stanford) digitalizam sua obra. Seu equilíbrio entre tradição e humanidade ressoa em discussões sobre IA e linguagem. Influenciou escritores de Jane Austen a modernistas.
