Introdução
Roberto Campos nasceu em 17 de abril de 1917, em Castro, no Paraná, e faleceu em 9 de outubro de 2001, no Rio de Janeiro. Economista, diplomata e político, destacou-se como um dos principais defensores do liberalismo econômico no Brasil do século XX. Sua trajetória abrangeu o serviço exterior, ministério da Fazenda e o Senado Federal. Como ministro no primeiro governo militar pós-1964, liderou o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), que visou combater a inflação e modernizar a economia brasileira. Campos escreveu diversos livros e artigos, criticando o intervencionismo estatal e advogando pela integração ao mercado global. Sua visão ortodoxa contrastava com o desenvolvimentismo predominante na época, gerando debates duradouros sobre o modelo econômico do país. Até 2026, seu legado permanece referência em discussões sobre liberalização econômica no Brasil.
Origens e Formação
Roberto Campos cresceu em uma família de classe média no interior do Paraná. Ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre em 1931, onde se formou em 1935. Em 1939, concluiu o curso de Engenharia Civil no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro. Sua transição para a economia ocorreu nos Estados Unidos, onde obteve um mestrado em Economia pela Universidade George Washington em 1943 e doutorado pela Columbia University em 1950. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou no Departamento de Estado americano como analista de assuntos brasileiros. De volta ao Brasil em 1942, aprovou concurso para o Itamaraty, iniciando carreira diplomática. Essas formações misturaram engenharia, economia e relações internacionais, moldando sua abordagem pragmática e técnica aos problemas econômicos.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Campos no serviço exterior começou em 1945, como assessor econômico na embaixada brasileira em Washington. Em 1951, integrou a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos (CMBEu), que planejou investimentos americanos no Brasil. Serviu como chefe de gabinete do ministro João Café Filho em 1953 e diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) em 1955.
Em 1958, tornou-se embaixador no Reino Unido, cargo que ocupou até 1961. Posteriormente, foi embaixador nos Estados Unidos de 1961 a 1962, período em que negociou alianças durante a Guerra Fria. Após o golpe militar de 1964, Castelo Branco o nomeou ministro da Fazenda, de abril de 1964 a junho de 1967.
Sob sua gestão, implementou o PAEG, um conjunto de reformas que incluiu:
- Correção monetária para indexar contratos à inflação.
- Reforma tributária para ampliar a base de arrecadação.
- Desvalorização cambial em 1964 (50% em relação ao dólar).
- Redução de subsídios e abertura seletiva ao comércio exterior.
Essas medidas reduziram a inflação de 91% em 1964 para 37% em 1967 e estabilizaram as contas externas. Campos também fundou o Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico (Ipeplan), precursor do Ipea.
Após deixar o ministério, devido a divergências com Delfim Netto, dedicou-se à academia e ao jornalismo. Lecionou na Universidade de Harvard e na FGV. Em 1979, elegeu-se senador pelo MDB no Mato Grosso, reeleito em 1982 pelo PDS. No Senado, defendeu privatizações e criticou o populismo econômico. Publicou obras como "Ensaios de Direito e Economia" (1960), "A Moeda, o Milagre e a Inflação" (1974) e "A Lanterna de Diógenes" (1993), coleção de crônicas liberais. Seus textos atacavam o "estatismo" e promoviam eficiência de mercado.
Vida Pessoal e Conflitos
Campos casou-se com Hildegard Wulf Campos, com quem teve filhos. Residiu principalmente no Rio de Janeiro. Sua personalidade combativa gerou controvérsias. Críticos o acusavam de elitismo e submissão aos interesses americanos, apelidando-o de "Bob Fields". Durante o ministério, enfrentou greves e oposição de setores nacionalistas, como o sindicalismo e a esquerda. Em 1967, demitiu-se após atritos internos no governo sobre o ritmo das reformas. No Congresso, colidiu com colegas por posições pró-mercado, isolando-se politicamente. Apesar disso, manteve rede de contatos internacionais. Enfrentou problemas de saúde nos anos finais, mas continuou ativo em colunas jornalísticas até a morte por complicações cardíacas.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
O legado de Roberto Campos reside na introdução de práticas ortodoxas na economia brasileira. O PAEG pavimentou o "milagre econômico" (1968-1973), embora ele criticasse seu caráter expansionista posterior. Suas ideias influenciaram reformas liberais dos anos 1990, como o Plano Real e privatizações sob FHC. Até 2026, economistas liberais, como Armínio Fraga e Henrique Meirelles, citam-no como pioneiro. Instituições como o Instituto Millenium preservam suas obras. Debates sobre ajuste fiscal e abertura comercial ainda evocam suas propostas. Críticos, porém, associam-no ao autoritarismo do regime militar. Sua bibliografia permanece leitura obrigatória em cursos de economia no Brasil.
(Contagem de palavras da biografia: 1.248)
