"ESTOU DE VIAGEM O vento sopra, O horizonte avança, A imaginação brota, Um sonho alcança. Cada canto Uma nova cidade, Um ar de encanto, De felicidade. Lugares acanhados, Tamanha simplicidade, Outros avançados, De prosperidade. Um verde esquisito, Relevo acidentado, Galhos retorcidos, Estou no cerrado. Carros que se cruzam, Pessoas que passam, Famílias que se mudam, Viajantes que se afastam. Estrada sinuosa, Subindo e descendo, Curvas perigosas, Ora dormindo ora atento. Eu prossigo a andar Contemplando a imagem, Não posso parar, Estou de viagem. E a temperatura Esquenta o carro, É sol e chuva, Poeira e barro. O sol no caminho, Amigo verdadeiro, Não estou tão sozinho, É o meu companheiro. Mas chega a hora De ele se esconder, Tem que ir embora, Té ao amanhecer, Não estou preocupado, A viagem continua, Olhando ao lado Eu vejo a lua. Na solidão da noite Recordações precisamos contê-las, Na claridade dos pensamentos, Sobre a luz das estrelas Passo a passo Avanço nos pensamentos, No tempo e espaço, Aproveitando os momentos. Eu prossigo a andar Contemplando a imagem, Não posso parar, Estou de viagem."
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Rinaldo Pedro
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Frases - Página 5
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"Caminhando pelo passado Caminhando pelo Recife Sons estranhos me aparecem: ao passado o presente assiste, e algo estranho me acontece. É Pernambuco da capitania, que Duarte Coelho já sentia sua força impoluta, tendo ouro como açúcar, doces brisas pelas ruas. Soldados e suas espadas, navios em suas esquadras, e, olhando em direção ao mar, corsários a passar, disputando este lugar, lutando sem cansar, como hoje lutamos nós, o egoísmo é o grande algoz, pois pertence a humanidade, vejo isso nesta cidade, em relances de verdade. O Recife é imortal, é pedra fundamental, de feito excepcional produzido por Nassau. Nassau é a Ponte do passado ao presente. O Capibaribe que nos diga! Em suas águas o abriga, como uma imensa Veneza de rara e eterna beleza, pedra de valiosos quilates, como provam os mascates cujas vozes ecoam por toda parte, por ruas, entradas e becos, seus comércios e apetrechos. Na Rua da Praia houve até revolução, Por aqui Insurreição. Sua história é contada com muita devoção, pois de história nós entendemos, com vários ilustres convivemos: Matias de Albuquerque, Henrique Dias, Gilberto Freire, Paes de Andrade, Frei Caneca, Abreu e Lima, Joaquim Nabuco, José Mariano, Paulo Freire, Capiba, Luiz Gonzaga, Oliveira Lima, Hermilo Borba Filho, Álvaro Lins, Ariano Suassuna como cidadão, Nélson Ferreira, João Cabral de Melo Neto, Osnan Lins, Antônio de Figueiredo e Manoel Bandeira. Conhecidos pela democracia, insurgência, muita coragem, senso de igualdade, ideário cívico, inteligência, muita força e heroicidade. Estando longe ou perto, a saudade é sem igual, sentimento de muita emoção, que vai do frevo do Carnaval à fogueira do São João. Permita-me uma aliteração: “Recife reino reluzente dos Poetas ausentes”. A minh’alma transborda caminhando pela orla, tudo vejo no ar da simplicidade: águas, pontes, casas e grades caminhando por esta cidade."
"O Retorno Há vários anos, fui companheiro de viagem de um ancião que sentou ao meu lado, e sem que perguntasse, contou-me, depois de várias tentativas sem sucesso, sobre sua felicidade por estar voltando para sua cidade natal por ter sido jubilado no emprego. Contemplei as lágrimas no seu rosto, o brilho nos seus olhos, empolgação ao falar das dificuldades que enfrentou ao longo do tempo e a tristeza de estar voltando num momento em que suas forças já não eram as mesmas de sua mocidade. Muito tempo se passou depois daquela conversa. As árvores, os postes, as casas, os campos, o horizonte, tudo corria em busca de novos sonhos. Cada momento que passava, sentia que estava mais perto de chegar no meu tão esperado destino. Olhando para o céu, podia contemplar a lua e as estrelas, essas sim, às vezes à esquerda ou à direita, não importava, a verdade era que elas eram fiéis companheiras pela noite, pois estavam sempre comigo pela estrada afora, não importando a imperfeição da situação, não importando as dificuldades da vida naquela ocasião. A vontade de chegar ao meu objetivo aumentava à medida que o tempo avançava. Fui tomado por um sentimento nostálgico, e o passado tentava sobrepor o então presente. Na mente, lugares, família e amigos pareciam estar congelados no tempo, uma esperança de um reencontro mágico, seria bom de mais, e às vezes somos traídos pela realidade. De repente, os lugares começaram parecer conhecidos, o coração acelerou na mesma velocidade dos motores e eu estava a alguns passos do final daquela jornada. - Pai, mãe, sou eu! Seu filho que estava longe, que morava tão distante, que os senhores sempre pediram a Deus o seu retorno! Onde estão vocês? Não consigo vê-los! Passei vários anos sonhando com esse momento! - Hei! Estou aqui, venham ver, sou eu mesmo! Onde estão meus amigos do colégio? Finalmente, fui ao espelho e vi a dura realidade estampada no rosto. A quantidade e a cor dos cabelos já não eram as mesmas, a pele estava com marcas da vida, porque não falar dos calos nas mãos. A força já não era a mesma da juventude, aliás, já não me chamavam de jovem, vi que tudo se passou, a vida continuou, todos viveram paralelamente, muitos se casaram, alguns se foram, tive a estranha sensação que cheguei atrasado ou tarde de mais. A ânsia do retorno cegou-me ao longo dos anos. Hei, a culpa não foi minha, também vivi a vida, porém em lugares diferentes. Estas lágrimas não são à toa, mas uma forma de pedir perdão, voltei, eu amo vocês! Voltei sim, para minha cidade querida, para o meu povo, para os meus poucos amigos e principalmente para aqueles que restaram da minha humilde família."