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Richard Le Gallienne

Richard Le Gallienne

Biografia Completa

Introdução

Richard Le Gallienne nasceu em 20 de janeiro de 1866, em Liverpool, Inglaterra, e faleceu em 13 de setembro de 1947, em Menton, na Riviera Francesa. Figura proeminente do fin-de-siècle britânico, ele se destacou como poeta, ensaísta, crítico literário e jornalista. Sua produção literária, marcada por uma prosa elegante e uma poesia romântica, alinhou-se ao movimento estético dos anos 1890, influenciado por Oscar Wilde e pelo decadentismo. Le Gallienne trabalhou em veículos como The Star e The Globe, onde defendeu valores artísticos contra o utilitarismo vitoriano tardio.

Sua relevância reside na ponte entre o romantismo pré-rafaelita e a modernidade inicial, com obras como George Meredith: Some Characteristics (1890) e The Religion of a Literary Man (1893). Ele produziu biografias, romances e ensaios sobre figuras como Wagner e Ruben Dario. Embora não atinja o status de ícone como Wilde, sua crítica ajudou a moldar o debate literário eduardiano. Em 1906, mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu por décadas, adaptando-se ao novo contexto cultural. Seu legado persiste em coleções de ensaios e na influência sobre escritores menores do período. (178 palavras)

Origens e Formação

Le Gallienne cresceu em um ambiente religioso e culto. Filho de John Le Gallienne, clérigo unitário de origem hugonote, e Alice Jane Holt, ele nasceu em uma família de classe média em Liverpool. A influência paterna introduziu-o cedo à leitura de clássicos e à teologia liberal, mas ele rejeitou o clero em favor da literatura.

Aos 16 anos, iniciou como aprendiz de corretor de seguros, carreira que abandonou rapidamente por insatisfação. Autodidata voraz, devorou poetas românticos como Shelley e Keats, além de contemporâneos pré-rafaelitas. Em 1887, mudou-se para Londres, centro literário da época, onde frequentou círculos boêmios. Seu primeiro emprego jornalístico veio no The Star, sob T.P. O'Connor, que o incentivou a publicar poesia.

Não frequentou universidade formal, mas sua formação eclética – de bibliotecas públicas a conversas com editores – moldou seu estilo. Em 1889, lançou Volumes in Folio, coletânea de poemas que chamou atenção pela musicalidade e temas pagãos, ecoando Swinburne. Essa fase inicial estabeleceu-o como voz jovem do esteticismo. (192 palavras)

Trajetória e Principais Contribuições

A carreira de Le Gallienne ganhou ímpeto nos anos 1890. Em 1890, publicou George Meredith: Some Characteristics, ensaio elogioso que solidificou sua reputação como crítico. Trabalhou no The Globe de 1891 a 1897, escrevendo colunas sobre livros e teatro. Ali, defendeu o "art for art's sake" e entrevistou Wilde, com quem manteve amizade.

Outras obras chave incluem The Religion of a Literary Man (1893), reflexões sobre espiritualidade literária; Prose Fancies (1893), prosa poética; e Rudyard Kipling: A Criticism and Appreciation (1900). Em 1897, editou The Yellow Book brevemente, revista icônica do decadentismo. Seu romance The Quest of the Golden Girl (1913) vendeu bem, misturando busca espiritual e erotismo leve.

  • 1891-1894: Casamento e poesia inicial; My Ladies Sonnets (1894).
  • 1900-1906: Biografias como Richard Wagner (1902) e ensaios sobre Rubén Darío.
  • 1906 em diante: Em Nova York, colaborou com The Forum e North American Review. Publicou The Modern Book of English Verse (1910) e memórias como From a Paris Garret (1935).

Durante a Primeira Guerra, apoiou o esforço aliado em escritos. Sua produção totaliza dezenas de volumes, priorizando ensaios acessíveis sobre poesia densa. Contribuiu para o jornalismo literário, popularizando autores estrangeiros na Inglaterra e EUA. (238 palavras)

Vida Pessoal e Conflitos

Le Gallienne casou-se pela primeira vez em 1891 com Mildred Mary Gale, que faleceu em 1894 após dar à luz a filha Joan (1892-1917), morta jovem por tuberculose. Essa perda o marcou profundamente, refletida em poemas elegíacos. Em 1897, desposou Laura Cowie (conhecida como Julie), com quem teve Hesper Le Gallienne (1896-1975), atriz de teatro que integrou a Provincetown Players.

O segundo casamento terminou em separação amigável por volta de 1910, devido a diferenças criativas. Le Gallienne manteve relações cordiais com ex-parceiras e filhas. Mudou-se para os EUA em 1906 com Julie, instalando-se em Mendham, Nova Jersey, onde viveu recluso, escrevendo. Enfrentou críticas por estilo "afetado" de contemporâneos como Max Beerbohm, que o satirizou como poseur esteta.

Não há registros de grandes escândalos, mas sua associação com Wilde durante o julgamento de 1895 gerou suspeitas infundadas de homossexualidade, que ele negou publicamente. Financeiramente instável no início, estabilizou-se com palestras e edições. Na velhice, retornou à Europa, morrendo de causas naturais aos 81 anos. Sua vida foi de boemia moderada, com amizades em círculos literários transatlânticos. (212 palavras)

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Até 1947, Le Gallienne foi respeitado como "homem de letras" versátil, mas eclipsado por modernistas como Eliot. Suas antologias e críticas preservam-no em estudos vitorianos tardios. Hesper perpetuou o nome no teatro americano. Em 2026, sua obra aparece em reedições acadêmicas, como Victorian Literature and Culture, destacando o esteticismo pré-WW1.

Pesquisas recentes (até 2025) exploram seu paganismo literário em contextos ecocríticos e queer studies periféricos. Coleções como The Collected Poems (reed. 2004) mantêm-no vivo em nichos. Influenciou jornalistas literários e escritores de fantasia leve. Sem estátuas ou prêmios póstumos majoritários, seu impacto é sutil: ponte entre eras, documentado em arquivos como o Berg Collection da NYPL. Relevância persiste em debates sobre acessibilidade literária versus elitismo. (127 palavras)

Pensamentos de Richard Le Gallienne

Algumas das citações mais marcantes do autor.