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Raquel de Queiroz

Raquel de Queiroz

Biografia Completa

Introdução

Raquel de Queiroz nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza, Ceará. Morreu em 5 de novembro de 2003, no Rio de Janeiro. Escritora brasileira, marcou a literatura nacional como a primeira romancista modernista do Nordeste. Seu romance de estreia, O Quinze, publicado em 1930, retrata a seca devastadora de 1915 no sertão cearense.

Jornalista combativa, atuou em veículos como Correio da Manhã e Diário de Notícias. Dramaturga, publicou peças como A Mulher de Quase Trinta Anos. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1931, mas rompeu após a prisão em 1936.

Eleita em 1977 para a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupou o posto até sua morte. Esse feito a imortalizou como pioneira entre mulheres na instituição centenária. Sua obra reflete realismo social, com foco em desigualdades regionais e questões femininas. De acordo com fontes consolidadas, influenciou gerações de escritores nordestinos.

Origens e Formação

Raquel cresceu em família de classe média. Seu pai, médico, e sua mãe, professora, mudaram-se do sertão para Fortaleza logo após seu nascimento. A saúde frágil do pai levou a família ao interior cearense, onde presenciou de perto as mazelas do campo.

Essas experiências moldaram sua visão do mundo. Na infância, frequentou escolas em Quixadá e Fortaleza. Adolescente, mudou-se para o Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Notre Dame de Sion, instituição francesa católica. Ali, absorveu influências literárias europeias e brasileiras.

Não concluiu curso superior formal. Iniciou-se na escrita por conta própria. Leituras de Eça de Queiroz e Graciliano Ramos inspiraram seu estilo realista. Em 1927, publicou crônicas no jornal O Povo, de Fortaleza. Aos 19 anos, já assinava textos jornalísticos.

O contexto da Semana de Arte Moderna de 1922 ecoou em sua geração. Raquel integrou o Modernismo de segunda fase, com ênfase regional. Sua formação prática veio do jornalismo, não de academias.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1930, aos 19 anos, lançou O Quinze. O romance descreve a migração de retirantes durante a seca de 1915. Baseado em vivências familiares, mistura ficção e reportagem. Ganhou o Prêmio de Romance da Fundação Graça Aranha. Vendeu poucos exemplares inicialmente, mas consolidou sua reputação.

Nos anos 1930, atuou como jornalista. Escreveu para A Manhã e Correio da Manhã. Cobriu greves e questões sociais. Publicou As Três Marias (1939), sobre amizades femininas em internato católico. A obra critica opressões de gênero e religião.

Em teatro, estreou com Teatro (1937), incluindo peças como A Estrela Nascendo. Mãe (1941) aborda maternidade e pobreza. Sua dramaturgia influenciou o teatro brasileiro moderno.

Politicamente ativa, filiou-se ao PCB em 1931. Escreveu panfletos e artigos de esquerda. Em 1936, durante o Estado Novo, foi presa por 15 dias na Casa de Detenção do Rio. Libertada, exilou-se brevemente em Buenos Aires. Rompeu com o comunismo em 1937, após divergências ideológicas.

Na década de 1940, publicou Dôra, Dorinha (1942), sobre mulher nordestina no Rio. O Galo Branco (1966) critica corrupção rural. Jornalisticamente, dirigiu o Diário de Pernambuco em 1940.

A partir de 1950, dedicou-se mais à ficção. Memorial de Maria Moura (1992) reconta saga de mulher sertaneja. Ganhou prêmios como o Saci (1930) e o de melhor romance da Associação Paulista de Críticos de Arte (1992).

Em 1977, disputou vaga na ABL contra nomes como Jorge Amado. Eleita com 19 votos, tomou posse em 1979. Discursou sobre pioneirismo feminino. Ocupou a cadeira até 2003.

Sua produção inclui contos, crônicas e roteiros. Colabora com O Globo até os anos 1990. Totaliza 15 livros principais.

  • Principais obras:
    • O Quinze (1930)
    • As Três Marias (1939)
    • Memorial de Maria Moura (1992)

Vida Pessoal e Conflitos

Raquel casou-se em 1942 com Luís Martins, diplomata e intelectual. O casal morou em várias capitais, como Washington e Roma, devido à carreira dele. Não tiveram filhos. O casamento durou até a morte de Luís, em 1990.

Enfrentou críticas por seu ativismo. Após a prisão de 1936, sofreu vigilância policial. Rompida com o PCB, foi acusada de oportunismo por ex-companheiros. Críticos literários questionaram seu realismo como "reportagismo".

Na ABL, defendeu paridade de gênero. Polêmicas surgiram em eleições acadêmicas. Saúde debilitada nos anos 1990 limitou atividades públicas.

Viveu no Rio desde os 16 anos. Residiu em Copacabana. Mantinha rotina de leitura e escrita. Amigos incluíam Otto Lara Resende e Rubem Braga.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Raquel de Queiroz simboliza o Modernismo regional. O Quinze integra listas escolares brasileiras. Estudado em universidades por retratar seca e migração.

Primeira mulher na ABL, abriu portas: Nélida Piñon e Heloísa Ramos seguiram. Em 2003, seu falecimento gerou homenagens nacionais. Enterrada no Cemitério São João Batista.

Até 2026, edições de suas obras circulam. Filmes e adaptações teatrais de O Quinze ocorrem esporadicamente. Festivais no Ceará celebram sua memória.

Pesquisas acadêmicas analisam seu feminismo implícito. Crônicas jornalísticas reeditadas em coletâneas. Influencia escritores como José Lins do Rego e Rachel de Queiroz é citada em debates sobre literatura nordestina.

Seu pioneirismo persiste em discussões sobre inclusão feminina na literatura canônica.

Pensamentos de Raquel de Queiroz

Algumas das citações mais marcantes do autor.