Introdução
Pietro Bembo nasceu em 20 de maio de 1470, em Veneza, numa família nobre de tradição diplomática. Filho de Bernardo Bembo, humanista e político veneziano, ele emergiu como figura central do Renascimento italiano. Erudito, poeta e linguista, Bembo moldou a língua italiana moderna ao defender o toscano do século XIV como norma culta. Sua obra Prose della volgar lingua, publicada em 1525, estabeleceu Petrarca e Boccaccio como modelos estilísticos, influenciando gerações de escritores.
Além da linguística, Bembo editou textos clássicos como as rimas de Petrarca (1501) e o Decamerão de Boccaccio, colaborando com o impressor Aldo Manuzio. Elevado a cardeal em 1539 pelo papa Paulo III, ele combinou erudição secular com carreira eclesiástica. Sua vida reflete o ideal renascentista de harmonia entre letras e ação pública. Até sua morte em 18 de janeiro de 1547, em Roma, Bembo personificou o humanismo italiano, com impacto duradouro na filologia e na literatura vernacular. Sua relevância persiste em estudos linguísticos e edições críticas.
Origens e Formação
Pietro Bembo cresceu em Veneza, centro comercial e cultural da época. Seu pai, Bernardo Bembo, provedor da Universidade de Pádua e embaixador em Florença, introduziu-o cedo ao humanismo. A mãe, Elena Marcello, pertencia a outra família nobre veneziana. A casa Bembo recebia eruditos como Ermolao Barbaro, fomentando o interesse de Pietro pelas letras clássicas.
Aos 12 anos, em 1482, Bembo acompanhou o pai a Messina, onde estudou grego com Costantino Lascaris. Retornou a Veneza e frequentou a Universidade de Pádua, focando em filosofia e direito, mas priorizando literatura. Em 1492, viajou a Florença, imerso no neoplatonismo de Marsílio Ficino e Pico della Mirandola. Lá, aprofundou-se no estudo do italiano vernacular.
De volta a Veneza por volta de 1495, Bembo dedicou-se à erudição. Colaborou com Aldo Manuzio na Aldina, a imprensa mais avançada da Europa. Essa fase formativa, marcada por viagens e mestres, solidificou sua visão de reviver a antiguidade latina e italiana. Não há registros de formação formal em teologia inicial, mas sua inclinação humanista prevalecia.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Bembo ganhou impulso em 1501 com a edição das Rime de Petrarca na Aldina, a primeira em itálico, revolucionando a tipografia. Bembo corrigiu o texto com base em manuscritos florentinos, estabelecendo um padrão filológico. Em 1505, publicou Gli Asolani, diálogo neoplatônico sobre o amor, ambientado no castelo de Caterina Cornaro, ex-rainha de Chipre. A obra mescla prosa elegante com poesia petrarquista.
Entre 1506 e 1511, Bembo serviu como secretário de Dom Luís de Camões, cardeal português, em Urbino e Roma. Escreveu Libretto d'Ermafrodito (1510?), poema erótico em tercetos. Sua estada em Ferrara o aproximou da corte dos Este, onde conheceu Lucrezia Borgia, inspirando sonetos. Em 1513, retornou a Veneza, dedicando-se à edição do Decamerão de Boccaccio (1520, póstuma).
O marco maior veio com Prose della volgar lingua (1525), tratado em três livros defendendo o toscano puro de Petrarca para poesia e Boccaccio para prosa. Bembo rejeitava dialetos regionais, influenciando a Contrarreforma linguística e autores como Torquato Tasso. Nomeado historiógrafo de Veneza em 1521, escreveu Della istoria viniziana (inacabada).
Em 1539, Paulo III o consagrou cardeal em Viterbo, sem ordens sacras prévias. Bembo mudou-se a Roma, onde compôs hinos latinos e orações. Publicou Rime próprias em 1530 e traduções de Aristóteles. Sua produção abrangeu poesia, prosa, filologia e teologia, totalizando dezenas de obras impressas. Colaborou em academias literárias, como a Pontaniana em Nápoles.
Vida Pessoal e Conflitos
Bembo casou-se em 1512 com Morosina degli Onesti "la Preta", com quem teve três filhos: dois homens e uma mulher. O casamento, em Veneza, durou até a morte dela em 1535. Ele expressou afeto em epitáfios e sonetos. Rumores ligam-no romanticamente a Lucrezia Borgia durante estadas em Ferrara (1502-1506), baseados em cartas e poemas, mas sem provas concretas de relação além de amizade platônica.
Conflitos surgiram com rivais linguísticos, como o ciceronianismo extremo de alguns humanistas. Bembo moderou o debate, priorizando o vernacular sobre o latim puro. Políticamente neutro, evitou intrigas cortesãs, mas criticou excessos renascentistas em cartas. Sua saúde declinou nos anos 1540; recusou o papado em 1546. Não há registros de escândalos graves, mas sua promoção cardinalícia gerou invejas por sua origem leiga.
A perda da esposa o levou a uma fase devota; ele se ordenou sacerdote em 1539, integrando-se à Cúria Romana. Viveu modestamente, rodeado de livros e discípulos.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Bembo padronizou a ortografia e sintaxe italiana, base para o Vocabolario della Crusca (1612). Sua doutrina petrarquista dominou a poesia italiana até o século XVII, vista em Ariosto e Della Casa. Edições críticas suas permanecem referências em estudos dantescos e petrarquistas.
No século XX, filólogos como Benedetto Croce reavaliaram-no como estilista conservador, mas essencial para a unidade linguística italiana. Até 2026, edições modernas de suas Prose circulam em universidades, com traduções em inglês e francês. Influenciou tipografia: o itálico Bembo, fonte da Monotype (1929), homenageia sua edição petrarquista. Academias linguísticas e congressos renascentistas citam-no rotineiramente. Seu túmulo na Santa Maria del Popolo, Roma, atrai visitantes. Bembo simboliza o triunfo do humanismo vernacular sobre o latim medieval.
