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Pearl S. Buck

Pearl S. Buck

Biografia Completa

Introdução

Pearl Comfort Sydenstricker, mais conhecida como Pearl S. Buck, nasceu em 26 de junho de 1892, em Hillsboro, Virgínia Ocidental, Estados Unidos. Morreu em 6 de março de 1973, em Danby, Vermont. Escritora americana de renome internacional, destacou-se por suas narrativas realistas sobre a sociedade chinesa, especialmente camponeses e mulheres.

Seu romance The Good Earth (1931), traduzido como A Boa Terra, vendeu milhões de cópias e rendeu o Prêmio Pulitzer de Ficção em 1932. Em 1938, tornou-se a primeira mulher americana a receber o Nobel de Literatura, premiada por "suas ricas e verdadeiras retratações da vida camponesa chinesa e por sua biografia pioneira de uma revolucionária chinesa".

Buck publicou mais de 100 obras, incluindo romances, biografias, ensaios e livros infantis. Sua obra reflete 40 anos vividos na China, onde absorveu a cultura local como filha e esposa de missionários presbiterianos. Além da literatura, atuou em direitos humanos, fundando organizações para crianças adotivas. Sua relevância persiste na compreensão cultural entre Ocidente e Ásia.

Origens e Formação

Pearl nasceu em uma família missionária. Seu pai, Absalom Sydenstricker, e sua mãe, Caroline Stulting Sydenstricker, eram presbiterianos enviados à China em 1880. Pearl chegou à China aos três meses de idade, em 1892, e cresceu em Zhenjiang, província de Jiangsu.

A infância foi marcada pela instabilidade: guerras civis, fome e a Revolta dos Boxers (1900), que forçaram a família a fugir para Xangai. Aprendeu chinês mandarim de amas e vizinhos, mais fluentemente que o inglês. Sua mãe a educou em casa com livros clássicos ocidentais e chineses.

Em 1910, aos 17 anos, retornou aos EUA para estudar no Miss Porter's School, em Connecticut, e depois no Randolph-Macon Woman's College, na Virgínia, formando-se em 1914 com bacharelado em filosofia e literatura inglesa. Durante as férias, voltou à China. Influenciada pelo confucionismo e cristianismo, desenvolveu visão humanista da cultura chinesa, rejeitando o etnocentrismo missionário de seu pai.

Trajetória e Principais Contribuições

Em 1914, Pearl casou-se com John Lossing Buck, agricultor e sociólogo missionário. Moraram em Nanhsuchow, Anhui, estudando agricultura rural. Ela lecionou literatura em escolas missionárias em Nanking (1914-1933).

Sua escrita começou em 1920, com contos em revistas americanas. O primeiro romance, East Wind: West Wind (1930), descreve conflitos culturais de uma mulher chinesa. Mas The Good Earth (1931) a lançou à fama: narra a saga de Wang Lung, camponês que ascende e declina na China feudal. Vendeu 2 milhões de cópias em meses e inspirou uma adaptação teatral em 1932.

Sequências Sons (1932) e A House Divided (1935) completaram a trilogia. Outros romances incluem The Mother (1934), sobre maternidade chinesa, e Dragon Seed (1942), sobre invasão japonesa. Escreveu biografias como The Exile (1936), sobre sua mãe, e Fighting Angel (1936), sobre o pai – unidas em The Spirit and the Flesh (1939).

Ganhou o Nobel em 1938, doando parte do prêmio à Universidade de Nanking. Publicou mais de 85 livros até 1973, incluindo Imperial Woman (1956), sobre imperatriz Cixi, e Come, My Beloved (1963), sobre relações EUA-Índia. Escreveu 15 livros infantis e ensaios como Of Men and Women (1941), defendendo igualdade de gênero.

Em 1934, fugiu da China devido à guerra sino-japonesa, instalando-se em Nova York. Lecionou na Universidade de Cornell e viajou extensivamente.

Vida Pessoal e Conflitos

Pearl e Lossing tiveram uma filha, Carol, nascida em 1921 com fenilcetonúria, deficiência intelectual que exigiu cuidados vitalícios. O casamento terminou em divórcio amigável em 1935. Em 1935, casou-se com Richard J. Walsh, editor da John Day Company, que publicou suas obras. Adotaram seis crianças de raças mistas e bi-raciais, na época discriminadas.

Fundou a Welcome House em 1949, primeira agência americana de adoções interracionais, adotando pessoalmente nove crianças. Criou a Pearl S. Buck Foundation em 1964 para órfãos asiáticos.

Enfrentou críticas: missionários a acusaram de simpatizar com comunistas chineses; na China pós-1949, foi banida. Nos EUA, opôs-se ao macartismo e à segregação racial. Defendeu direitos das mulheres e paz mundial, criticando imperialismo japonês e americano.

Sua saúde declinou com artrite e câncer; Carol viveu em instituição até 1992. Pearl manteve correspondência ativa e ativismo até o fim.

Legado e Relevância Atual (até 2026)

Pearl S. Buck influenciou a literatura ocidental sobre Ásia, humanizando chineses para leitores americanos durante tensões pré-Segunda Guerra. A Boa Terra permanece em currículos escolares e foi adaptado para cinema em 1937, com Oscar de melhor atriz para Luise Rainer.

Seus arquivos estão na Pearl S. Buck International, em Perkasie, Pensilvânia, preservando sua casa. Em 2023, comemorou-se o 50º aniversário de sua morte com reedições e simpósios. Até 2026, suas obras circulam em mais de 70 idiomas, com impacto em estudos pós-coloniais e direitos humanos.

Recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em 1973, póstuma. Sua fundação adotou milhares de crianças. Críticas modernas notam estereótipos em suas retratações chinesas, mas seu pioneirismo em pontes culturais é consensual.

Pensamentos de Pearl S. Buck

Algumas das citações mais marcantes do autor.