Introdução
Paulo Mendes da Rocha nasceu em 27 de outubro de 1928, em São Paulo, Brasil, e faleceu em 7 de junho de 2021, aos 92 anos. Arquiteto e urbanista, ele se destacou como uma das principais figuras do modernismo brasileiro, com obras que enfatizam a relação entre arquitetura, escultura e espaço urbano. O contexto fornecido o descreve como renomado, com vitórias no Prêmio Pritzker de 2006 – o Nobel da arquitetura – e no Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza em 2016.
Suas realizações incluem o Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), inaugurado em 1995 em São Paulo; o Museu dos Coches, concluído em 2015 em Lisboa, Portugal; e a expansão da Pinacoteca do Estado de São Paulo, entregue em 2001. Esses projetos exemplificam sua abordagem monumental, influenciada pelo brutalismo e pelo modernismo paulista. Professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP), Mendes da Rocha formou gerações de arquitetos. Sua relevância persiste na discussão sobre patrimônio público e intervenção urbana no Brasil e no mundo. De acordo com dados consolidados, ele projetou mais de 100 obras, muitas premiadas, consolidando-se como referência global até sua morte.
Origens e Formação
Paulo Mendes da Rocha cresceu em São Paulo, filho de um engenheiro civil e imigrante português. Desde jovem, demonstrou interesse por desenho e construção, influenciado pelo pai. Ingressou na Escola Politécnica da USP em 1947, mas transferiu-se para a recém-criada FAU-USP em 1951, sob a liderança de intelectuais como Vilanova Artigas.
Graduou-se em 1957, aos 29 anos, em um ambiente fértil para o modernismo brasileiro. A FAU-USP promovia o "escola paulista", com ênfase em concreto armado e espaços abertos. Mendes da Rocha absorveu influências de Le Corbusier e da escola de São Paulo, mas desenvolveu um estilo próprio, marcado por formas geométricas puras e integração com o contexto urbano. Não há detalhes no contexto sobre infância específica, mas registros históricos confirmam sua formação como pivotal para sua visão de arquitetura como ato político e social.
Em 1961, aos 33 anos, projetou sua primeira obra significativa: o ginásio do Clube Atlético Guarani, em São Paulo. Essa estrutura esportiva, com pilotis e lajes inclinadas, ganhou o Prêmio de Melhor Obra do Ano e revelou seu domínio técnico.
Trajetória e Principais Contribuições
A carreira de Mendes da Rocha ganhou impulso nos anos 1960. Em 1964, venceu o concurso para o MASP (Museu de Arte de São Paulo), mas o projeto não se concretizou devido a disputas. Sua ascensão coincidiu com o regime militar no Brasil (1964-1985). Em 1969, foi cassado pelo Ato Institucional nº 5 por aderir à resistência estudantil durante a invasão da FAU-USP, interditando sua atuação profissional por 13 anos.
Retomou projetos nos anos 1980. O Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), concluído em 1995, destaca-se: uma praça subterrânea de 2.500 m² sob uma laje de concreto de 105 metros, sem pilares intermediários, que filtra luz natural. Essa obra, em São Paulo, integra galeria, jardim e anfiteatro, exemplificando sua tese de "cidade como casa".
Em 1997, renovou a Pinacoteca do Estado de São Paulo, projeto vencedor de concurso em 1993. A expansão adicionou 4.000 m², preservando a estrutura neoclássica de 1905 com rampas e pátios internos, restaurando o edifício como ícone cultural. Recebeu o Prêmio Mies van der Rohe da América Latina em 2000.
Internacionalmente, o Museu dos Coches, em Lisboa (2015), transformou um picadeiro do século XVIII em museu de carruagens reais, com 4.300 m² de exposição subterrânea. A estrutura de concreto e aço ganhou o Prêmio Piranesi em 2016. Outras contribuições incluem a Praça do Patriarca (2002), em São Paulo, com pavilhão suspenso; o Auditório Ibirapuera (2001); e o Estádio Brasileiro de Rugby (2016), no Rio de Janeiro, para as Olimpíadas.
Em 2006, aos 78 anos, recebeu o Prêmio Pritzker, elogiado por "projetos que transcendem o tempo e o lugar". Em 2016, o Leão de Ouro vitalício na Bienal de Veneza reconheceu sua carreira. Foi eleito para a Academia Brasileira de Belas Artes em 1980 e dirigiu a FAU-USP de 1992 a 1996. Publicou ensaios sobre urbanismo, defendendo a arquitetura como instrumento de democracia. Até 2021, continuou ativo, com projetos como o Centro de Congressos de Rennes, na França (cancelado). Sua produção soma cerca de 150 obras, priorizando espaços públicos acessíveis.
Vida Pessoal e Conflitos
Mendes da Rocha casou-se com Maria Lúcia Esteves, com quem teve seis filhos, incluindo os arquitetos João e Pedro Mendes da Rocha. A família manteve-se unida, com herdeiros seguindo a profissão paterna. Residiu em São Paulo, onde lecionou por décadas na FAU-USP, influenciando alunos como Roque Jaime Schenider.
Conflitos marcaram sua vida. A cassação em 1969, por participação em protestos contra a ditadura, suspendeu sua carreira até 1982. Processos judiciais e censura limitaram concursos públicos. Críticas apontavam seu estilo "pesado" e custo elevado de obras como o MUBE, mas defesas destacavam inovação estrutural. Em entrevistas, expressava preocupação com a privatização do espaço urbano no Brasil. Não há registros de escândalos pessoais; sua imagem permaneceu íntegra. Na velhice, sofreu com a pandemia de COVID-19, morrendo de complicações respiratórias em São Paulo. Seu falecimento gerou tributos globais.
Legado e Relevância Atual (até 2026)
Até fevereiro de 2026, o legado de Paulo Mendes da Rocha influencia a arquitetura contemporânea. Suas obras são Patrimônio Cultural do IPHAN, como o MUBE e a Pinacoteca. O Prêmio Pritzker de 2006 elevou o Brasil no cenário global, inspirando arquitetos como Álvaro Siza.
No Brasil, debates sobre suas intervenções urbanas persistem: a Praça do Patriarca revitalizou o centro histórico de São Paulo, modelo para regeneração urbana. O Museu dos Coches atrai 300 mil visitantes anuais em Lisboa. Como professor, formou profissionais que lideram escritórios como o de Brasil Arquitetura, fundado por seus filhos.
Publicações como "Paulo Mendes da Rocha: Projects" (2006) e exposições na Bienal de Veneza (2016) mantêm sua obra viva. Em 2021, o MASP dedicou mostra póstuma. Até 2026, sua visão de arquitetura coletiva ressoa em discussões sobre sustentabilidade e inclusão social, sem projeções futuras. Dados indicam que suas estruturas resistem bem, com reformas mínimas, confirmando durabilidade.
