"Tem explicação? Sempre gostei de times de massa, pura emoção, explosão, gritos de gol. E as cores? Sou descendente de polonês, mas nunca seria coxa-branca, por exemplo. O verde e branco não toca, não tem a força do vermelho e preto."
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Paulo Leminski
Paulo Leminski (1944-1989) foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro.
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Frases - Página 10
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"Ai daqueles que se amaram sem nenhuma briga aqueles que deixaram que a mágoa nova virasse a chaga antiga ai daqueles que se amaram sem saber que amar é pão feito em casa e que a pedra só não voa porque não quer não porque não tem asa"
"um bom poema leva anos cinco jogando bola, mais cinco estudando sânscrito, seis carregando pedra, nove namorando a vizinha, sete levando porrada, quatro andando sozinho, três mudando de cidade, dez trocando de assunto, uma eternidade, eu e você, caminhando junto"
"Contranarciso em mim eu vejo o outro e outro e outro enfim dezenas trens passando vagões cheios de gente centenas o outro que há em mim é você você e você assim como eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz mesmo que estejamos a sós"
"Já me matei faz muito tempo Me matei quando o tempo era escasso E o que havia entre o tempo e o espaço Era o de sempre Nunca mesmo o sempre passo Morrer faz bem á vista e ao baço Melhora o ritmo do pulso E clareia a alma Morrer de vez em quando É a única coisa que me acalma"
"nascemos em poemas diversos destino quis que a gente se achasse na mesma estrofe e na mesma classe no mesmo verso e na mesma frase rima à primeira vista nos vimos trocamos nossos sinônimos olhares não mais anônimos nesta altura da leitura nas mesmas pistas mistas a minha a tua a nossa linha"
"Razão de ser Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece. E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel, Quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?"
"Dor elegante Um homem com uma dor É muito mais elegante Caminha assim de lado Como se chegando atrasado Andasse mais adiante Carrega o peso da dor Como se portasse medalhas Uma coroa, um milhão de dólares Ou coisa que os valha Ópios, édens, analgésicos Não me toquem nessa dor Ela é tudo o que me sobra Sofrer vai ser a minha última obra"
"Além Alma (uma grama depois) Meu coração lá longe faz sinal que quer voltar Já no peito trago em bronze NÃO HÁ VAGA NEM LUGAR Pra que me serve esse negócio que não cessa de bater? Mais parece um relógio que acabar de enlouquecer Pra que é que eu quero quem chora, se estou tão bm assim, e o vazio que vai lá lá fora cai macio dentro de mim?"
"Donna Mi Priega 88 se amor é troca ou entrega louca discutem os sábios entre os pequenos e os grandes lábios no primeiro caso onde começa o acaso e onde acaba o propósito se tudo o que fazemos é menos que amor mas ainda não é ódio? a tese segunda evapora em pergunta que entrega é tão louca que toda espera é pouca? qual dos cindo mil sentidos está livre de mal-entendidos?"
"quando eu tiver setenta anos então vai acabar esta minha adolescência vou largar da vida louca e terminar minha livre docência vou fazer o que meu pai quer começar a vida com passo perfeito vou fazer o que minha mãe deseja aproveitar as oportunidades de virar um pilar da sociedade e terminar meu curso de direito então ver tudo em sã consciência quando acabar esta adolescência"
"A LUA FOI AO CINEMA A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando apagam, ninguém vai dizer, que pena! Era uma estrela sozinha, ninguém olhava para ela, e toda a luz que ela tinha cabia numa janela. A lua ficou tão triste com aquela história de amor, que até hoje a lua insiste: - Amanheça, por favor!"